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Dinheiro
05/06/2008 - 09h00

Extinção de tributo tiraria 6,4 milhões de brasileiros da pobreza, diz Ipea

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KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apresenta nesta quinta ao Senado, durante audiência que discute tributação, um levantamento que aponta que a eliminação da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) resultaria em um ganho de renda para as camadas mais pobres. Com isso, ao menos 6,4 milhões de brasileiros deixariam a linha de pobreza, segundo levantamento obtido com exclusividade pela Folha Online.

A pesquisa mostra que uma transferência dos tributos chamados indiretos --embutidos nos bens de consumo-- para a cobrança direta --como o Imposto de Renda-- reduziria a pobreza.

"O combate a desigualdade passa pela Justiça tributária. É uma experiência internacional. Todos os países que reduziram a pobreza ajustaram sua tributação", afirma o economista Márcio Pochmann, presidente do Ipea.

De acordo com o estudo, 32,5% dos brasileiros estão abaixo da linha da pobreza e têm renda de até meio salário mínimo per capita por mês --R$ 207,50.

Sem a cobrança da Cofins, embutida em bens de consumo, a porcentagem desse grupo cairia para 29%, o que resultaria em 6,4 milhões de brasileiros superando a linha da pobreza.

Nesta faixa dos mais pobres estão incluídos os considerados abaixo da linha da miséria, com rendimento mensal de um quarto de salário mínimo per capita (R$ 103,75). Neste caso, a participação cairia de 12,8% para 10,3%.

A explicação para a diferença entre o peso dos impostos está na forma de cobrança.

A base da arrecadação no Brasil é mais forte na chamada tributação indireta, ou seja, embutida em alimentos ou bens de consumo. Como o brasileiro mais pobre gasta a maior parte de sua renda nesses itens, paga mais impostos proporcionalmente. Portanto, a extinção da Cofins tornaria o consumo mais barato.

O levantamento do Ipea avança da discussão sobre a necessidade da reforma tributária como forma de combater as desigualdades. O primeiro estudo do instituto, apresentado no mês passado, mostrou que os 10% mais pobres pagam 44,5% mais impostos, proporcionalmente, do que os 10% mais ricos e que 75% da riqueza do país está concentrada com os 10% mais ricos.

"Estamos oferecendo elementos de uma hipótese que permitiria ao Brasil avançar no combate a pobreza e na redução da desigualdade, criando um novo padrão de tributação", afirma Pochmann.

De acordo com o levantamento, a compensação com a perda de receita provocada pelo fim da Cofins se daria com uma mudança na cobrança do IR pessoa física, que passaria das atuais duas faixas tributadas (15% e 27,5%) para 12, podendo chegar a 60%, além de um imposto extra sobre grandes patrimônios, de 1% ao ano.

Segundo a Receita Federal, a Cofins somou arrecadação de R$ 104,563 bilhões em 2007 --a preço de dezembro, deflacionado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)--, e representou 17% da receita tributária federal.

De acordo com Pochmann, a Cofins é o segundo maior tributo indireto, perdendo apenas para o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Para ele, além de mudanças na tributação, também é preciso discutir a distribuição de renda. "A política tributária atua como um instrumento importante, mas o Ipea apenas aponta alternativas, as propostas têm de ser feitas pelo Executivo e pelo Legislativo."

O levantamento do Ipea também mostra que o fim da Cofins teria efeito na redução da desigualdade até três vezes maior do o Bolsa-Família. Com a eliminação o Brasil passaria dos atuais 0,56 para 0,53 no Índice de Gini, indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual o país). O Bolsa-Família produziu redução de 0,01.

Comentários dos leitores
sergio barbosa (71) 30/06/2009 22h04
sergio barbosa (71) 30/06/2009 22h04
Em TUDO só de ICMS estadual, você paga de 18 a 27%.
Veja assunto aqui na própria folha :
Num belo trabalho acadêmico feito por nossa equipe como tcc, assistido pelo mais completo doutor "o cabeça" em economia aqui da Unicamp, ficou claro que a carga tributária tendo como vorazes os governos federal, estadual e municipal, tem no que tange aos diversos impostos os MAIS PERVERSO, como sendo o ICMS, não que não deveria existir mas, elevado, extrapola o bom senso fiscal/ tributário.
Vejamos então:
Em tudo você paga cerca de 18 a 27% a título de ICMS estadual.
Carro:
imposto federal: 5 a 11 %
estadual ICMS: 18 A 27%
IPVA ESTADUAL + MUNICIPAL: 4% a cada ano.
nota: Antes de rodar, carro, só de imposto estadual gira da ordem de 22 a 29%.
Gasolina:
imposto federal: 14%
ICMS ESTADUAL :35 %
Linha BRANCA:
IMPOSTO FEDERAL: ZERO a 5%
ICMS ESTADUL : 18 a 22%
Ou seja, na COMPETIÇÃO entre ESTADOS com a ARRECADAÇÃO FEDERAL, a CARGA TRIBUTÁRIA EXPLODIU, DE 1992 aos dias de HOJE ( de 24,6 pra 38,45% em média, do PIB).
Outro ESTUDO REALIZADO, proca que com ICMS em exorbitantes 35% nos COMBUSTÍVEIS, tem se então o maior motivo pra SONEGAÇÃO e ADULTERAÇAO relativos a este segmento, ora praticados .
TRISTE.
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Rui Ruz Caputi Caputi (1350) 30/06/2009 18h33
Rui Ruz Caputi Caputi (1350) 30/06/2009 18h33
Trabalhamos 10 dias por mês para sustentarmos essa camarilha que só pensam em seus proprios umbigos. Ainda se desses 10 suados dias pagos coercitivamente resultasse algum beneficio....
Temos que mudar isso! desoneração tributária é a palavra: só votarmos em quem se comprometer a diminuir essa pesada e improdutiva carga sobre os lombos dos pobres. Isso vale para eleiçoes municipais, estaduais e federais, coda qual dentro de sua competencia tributária.
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Gilberto Rossato (8) 30/06/2009 18h29
Gilberto Rossato (8) 30/06/2009 18h29
O IPEA diz que os ricos devem pagar mais impostos que os pobres. Eu acho que todo cidadão deve pagar o imposto justo pelo que êle tem como contrapartida. O mínimo desejável é: SAÚDE, EDUCAÇÃO e SEGURANÇA que nem os pobres nem os ricos tem atualmente . Após pagarmos,todos, o dinheiro mal utilizado pelos governantes ainda temos que pagar : o vigia da rua, o seguro saúde, a previdência privada (quem pode), o guardador de carros, a zona azul, os pedágios, etc..etc...etc. 3 opiniões
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