Dinheiro
05/06/2008 - 09h00

Fim da Cofins reduz desigualdade três vezes mais do que Bolsa-família

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KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apresenta nesta quinta-feira ao Senado, durante audiência que discute tributação, um levantamento que aponta que a eliminação da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) tem mais efeito na redução da desigualdade do que o programa Bolsa-Família, do governo federal.

O levantamento, obtido com exclusividade pela Folha Online, mostra que uma transferência dos tributos chamados indiretos, embutidos nos bens de consumo, para a cobrança direta, como o Imposto de Renda, pode reduzir a pobreza.

Segundo os dados, o fim da Cofins teria efeito na redução da desigualdade até três vezes maior do o Bolsa-Família. Com a eliminação do tributo, o Brasil passaria de 0,56 para 0,53 no Índice de Gini, indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual o país). O Bolsa-Família produziu redução de 0,01.

O índice nos anos 1960, antes do regime militar, por exemplo, era de 0,50. Uma sociedade onde todos tivessem o mesmo rendimento, teria índice zero. Para ser considerado razoável, um país precisa estar próximo de 0,40.

"O efeito é maior porque a Cofins está embutida nos bens de consumo, portanto tem um impacto grande nas camadas mais pobres. Mas, mesmo assim, ainda é preciso muito para o Brasil deixar esse índice tão alto de desigualdade", afirma Márcio Pochmann, presidente do Ipea.

Entre as alternativas apresentadas pelo instituto para uma tributação mais justa está o fim da Cofins e uma mudança no Imposto de Renda, com aumento das faixas tributadas e progressão na cobrança do tributo sobre os maiores rendimentos, chegando a 60%.

De acordo com o estudo, 32,5% dos brasileiros estão abaixo da linha da pobreza e têm renda de até meio salário mínimo per capita por mês -R$ 207,50.

Sem a cobrança da Cofins, embutida em bens de consumo, a porcentagem desse grupo cairia para 29%, o que resultaria em 6,4 milhões de brasileiros superando a linha da pobreza.

Comentários dos leitores
Rones Silva (2) 13/10/2009 20h27
Rones Silva (2) 13/10/2009 20h27
O ministro Temporão tem procurados os parlamentares (PMDB e PE) para defenderem a aprovação da nova CPMF. Tentem imaginar o "toma lá dá cá" que vai resultar destas negociações. sem opinião
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O fato é que a CSS seria, como foi a CPMF, uma fonte de recurso seguro e de arrecadação relativamente simples, aumentando os encargos, que já são elevados para o contribuinte, mas sem provê-lo com quaisquer compensações. Este atalho de menor esforço tem resultado num fato relaxador das aspirações pela reforma fiscal/tributária há muito tempo. Uma das conseqüências da postergação da reforma é a manutenção das "máquinas de desvios", que estrangulam o caixa do estado e produzem toda sorte de dificuldades para a Nação. Necessitamos de um freio de arrumação fiscal e tributária e acabar com tantos impostos. Dessa maneira, então seria aceitável, aplicar-se o mecanismo de arrecadação de um imposto único, que poderia ser inspirado no modelo de arrecadação da CPMF. De outra maneira, é melhor ignorar mais essa criação extempoânea e redundante que deseja o governo. sem opinião
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Hilton Leonel (6) 08/09/2009 18h01
Hilton Leonel (6) 08/09/2009 18h01
Chega Sr. Temer já não chega de tanto imposto, o povo Brasileiro é totalmente contra este absurdo, e
o PMDB esta sempre ao lado do governo para prejudicar o povo. QUE SAUDADE DE ULISSES GUIMARÃES. Este éra o PMDB de antigamente.
sem opinião
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