Sociedade civil considera cúpula da ONU sobre alimentação um fracasso
da Efe, em Roma
Mais de duzentas ONGs (organizações não-governamentais) e associações da sociedade civil consideraram hoje um fracasso a cúpula da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) sobre segurança alimentar, em Roma, já que mantém "as mesmas políticas" que levaram à atual crise alimentar.
Para esses representantes, a declaração final, que ainda está sendo negociada, manterá um sistema alimentício mundial que "favorece a especulação" e "beneficia só às grandes corporações".
O porta-voz da organização Fian International, o brasileiro Flávio Valente, disse que a crise "é o resultado de décadas de políticas doentes" do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional).
"As soluções propostas no documento final da cúpula são as mesmas que nos trouxeram aqui", disse Valente, que acrescentou que "não há uma só promessa para acabar com a fome que já não tenha sido feita no passado".
Também denunciou que, na declaração final, não será feito nenhum comentário sobre a "especulação".
Valente disse que, no documento final da cúpula, inclusive, os Governos reconhecem sua "incapacidade" para resolver a crise quando "encomendam ao FMI, ao Banco Mundial e a um grupo de trabalho da ONU que façam isso por eles".
A iraniana Maryam Rahmanian, da organização Cenesta, disse que essa declaração e esta cúpula "não vão encher nenhum prato de comida", e afirmou que "as recomendações que faz para continuar liberalizando o comércio levarão a uma maior violação do direito à alimentação".
Essa receita liberalizadora, "promovida no passado pelo Banco Mundial e pelo FMI, é a mesma que levou à atual crise alimentícia", disse Rahmanian.
"É preciso acabar com a especulação financeira e com o mercado de futuros dos alimentos, que joga roleta com nossas vidas", acrescentou a ativista iraniana.
Para Herman Kumara, porta-voz do Movimento Nacional de Solidariedade aos Pescadores (Nafso, em inglês), do Sri Lanka, a cúpula só foi "positiva" para o grupo reduzido das "grandes corporações", já que reforçou seu domínio sobre os alimentos em todo o planeta.
Todas as organizações recomendaram a criação de uma comissão da ONU encarregada de zelar pelo direito à alimentação e a soberania alimentícia dos povos.
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