Dinheiro
05/06/2008 - 12h15

Comissão convida Denise Abreu e mais 11 para falar sobre caso Varig

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Comissão de Infra-Estrutura do Senado aprovou nesta quinta-feira um convite à Denise Abreu, ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), para ouvir suas denúncias sobre irregularidades na venda da VarigLog e da Varig ao fundo norte-americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros. Os senadores também aprovaram convites a mais 11 pessoas, com envolvimento direto ou indireto na operação.

Além de Denise Abreu, vão ser convidados o ex-presidente da Anac Milton Zuanazzi e os outros dois ex-diretores da Agência: Leur Lomanto e Jorge Veloso. Também foram chamados os sócios brasileiros do fundo americano: Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel.

Os senadores ainda aprovaram convites para o juiz da Primeira Vara Empresarial do Rio, Luiz Roberto Ayoub, que conduziu o processo de falência da Varig, e o advogado Roberto Teixeira --amigo do presidente Lula e cujo escritório era representante dos compradores à época.

A base aliada do governo se antecipou à oposição e apresentou o requerimento dos convites para evitar que DEM e o PSDB convocassem a ex-diretora da Anac e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Pelo cronograma da Comissão do Senado, Denise Abreu e os ex-diretores da Anac devem ser ouvidos na próxima quarta-feira. Na outra semana, deve ser a vez de Roberto Teixeira e as outras autoridades.

"O governo tem participado dos esclarecimentos e não teme nenhuma explicação. Não há blindagem. Temos maioria para rejeitar todos os requerimentos da oposição", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Denúncias

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", a ex-diretora da Anac Denise Abreu afirma que a Casa Civil favoreceu a venda da VarigLog e da Varig ao fundo Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros.

Ela afirma que Dilma a desestimulou a pedir documentos que comprovassem a capacidade financeira dos três sócios (Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel) para comprar a empresa, já que a lei proíbe estrangeiros de possuir mais de 20% do capital das companhias aéreas.

A ex-diretora, que se diz vítima de uma armação, afirmou ainda que a filha e o genro do advogado Roberto Teixeira usaram sua influência para pressioná-la.

Ontem, a ministra Dilma Rousseff negou as acusações de Abreu. "As acusações feitas pela doutora Denise Abreu são falsas', disse a ministra. Ela afirmou que estranha as declarações da ex-dirigente da Anac, que inclusive já trabalhou na Casa Civil do atual governo durante a gestão de outro ministro, José Dirceu.

"Eu queria destacar que este tema foi tratado no âmbito da Anac e também no âmbito do processo de falência da Varig. O governo teve uma grande preocupação com a falência da Varig e com a descontinuidade do serviço. As acusações serão respondidas no âmbito da Anac e do processo de falência", afirmou Dilma.

Entenda o caso

A VarigLog é a ex-subsidiária da Varig de transporte de cargas. A companhia é alvo de um imbróglio empresarial envolvendo o fundo Matlin Patterson e os três sócios brasileiros, que travam disputas judiciais no Brasil e no exterior desde a metade do ano passado.

O fundo se associou, por meio da Volo do Brasil, com três brasileiros para controlar a empresa, mas houve um desentendimento na gestão dos recursos recebidos pela venda da Varig para a Gol --a VarigLog comprou as operações da Varig em leilão por US$ 24 milhões e depois revendeu a companhia aérea à Gol por US$ 320 milhões.

Por conta das disputas judiciais, há meses a VarigLog enfrenta sérios problemas, como suspensão de serviços e arresto de aeronaves por falta de pagamento a fornecedores e prestadores de serviços. Os funcionários também estão com salários atrasados.

Em abril, o juiz José Paulo Magano determinou a volta do fundo americano para a gestão da VarigLog e excluiu os brasileiros da sociedade. À época, o advogado Nelson Nery Junior, que representa o Matlin, informou que havia sido fixado pagamento de US$ 428 mil para cada um dos três sócios.

Logo em seguida, o juiz mandou bloquear uma transferência de recursos da conta na Suíça da VarigLog para o Brasil e afastar Lap Chan, então gestor do fundo, do comando da empresa. Sobre isso, Nery Junior afirmou que o dinheiro seria usado na criação de uma linha de crédito para socorrer a empresa e não era uma tentativa de desvio.

 

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