Execuções de hipotecas e inadimplência batem recorde nos EUA no 1º trimestre
da Folha Online
O número de execuções de hipotecas e a taxa de inadimplência bateram recorde no primeiro trimestre deste ano nos EUA, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela MBA (Associação de Bancos de Hipotecas, na sigla em inglês). As duas taxas são as maiores da série iniciada em 1979.
Segundo a associação, a taxa de imóveis cujas hipotecas entraram em processo de execução atingiu 0,99% no período de janeiro a março. O dado superou o recorde anterior, de 0,83% do total, referente aos três últimos meses de 2007.
A taxa de inadimplência mas hipotecas nos EUA, por sua vez, atingiu 6,35%, contra 5,82% no último trimestre do ano passado (inadimplência é a categoria em que são incluídos pagamentos com atrasos de ao menos 30 dias).
O vice-presidente de pesquisas da associação, Jay Brinkmann, disse à agência de notícias Associated Press (AP) que a queda nos preços dos imóveis foi o fator que mais contribuiu para o aumento nos despejos e na inadimplência no trimestre passado. Segundo ele, com a expectativa de mais quedas nos preços das casas, tanto as execuções hipotecárias como a inadimplência devem continuar a subir.
"O problema número um é a queda nos preços das casas", disse Brinkmann. "Em outros tempos você poderia vender uma casa. Mas como os preços caíram muito, em muitos casos, as pessoas deixam [a hipoteca do imóvel] ser executada."
Depois de cinco anos de expansão acentuada, o mercado imobiliário sofreu uma queda profunda nos últimos dois anos. A queda afetou os preços e as vendas. Com isso, muitas pessoas ficaram devendo nas hipotecas um valor maior que o valor de mercado das próprias casas.
A queda no mercado imobiliário causou uma crise no mercado de hipotecas de risco, que acabou por afetar o mercado de títulos de crédito de modo geral. Isso provocou uma onda de turbulência nos mercados financeiros, que ainda se faz sentir. A economia americana também foi afetada pela queda na atividade dos setores imobiliário e e construção, o que contribuiu para uma desaceleração da economia como um todo.
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) passou a cortar sua taxa de juros em setembro do ano passado, quando a crise hipotecária atingiu nível critico --mas, com o atual cenário de pressões inflacionárias, o banco deve interromper a queda de juros.
A base de dados para a pesquisa conta com 45 milhões de registros de financiamentos imobiliários nas empresas ligadas à associação.
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