Exportações de petróleo podem ampliar queda do dólar, diz Petrobras
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O aumento na produção e no refino nacional de petróleo nos próximos anos deve ampliar a desvalorização do dólar em relação ao real, segundo a avaliação do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.
"Nós vamos exportar muito. Vamos importar também algumas coisas, mas vamos ter uma balança de pagamentos positiva. Provavelmente, nós vamos contribuir para a apreciação do real, porque vamos ser superavitários", afirmou, durante apresentação a empresários no CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).
Gabrielli chegou a fazer uma brincadeira com um dado que aparecia incorretamente como sendo em dólares em um de seus slides de apresentação. Afirmou que a moeda correta era o real, e não a "moeda fraca".
"Mijo do diabo"
Gabrielli afirmou também que o Brasil precisará tomar cuidados para que o desenvolvimento de novos poços não acabe desindustrializando o país, como aconteceu com outros grandes produtores mundiais dessa área.
Esse movimento é conhecido como "Doença Holandesa", quando um grande exportador de produtos básicos recebe muitos dólares por essas vendas e acaba vendo sua moeda ser supervalorizada, o que prejudica as exportações de outros setores.
Ele citou uma frase do senador Gerson Camata. "Ele disse que o petróleo é o ouro negro, é algo muito atraente. Mas ele também é o mijo do diabo", afirmou Gabrielli. "Toda vez que o petróleo cresceu muito em todos os países, ele matou o que estava em volta. Ele desindustrializou o país, porque o volume de recursos que ele demanda é tão grande que mata o que está em volta."
Reservas gigantescas
Entre os principais projetos que devem aumentar a produção do país, ele citou os poços da Bacia de Santos (nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro), com destaque para o megacampo de Tupi.
"Em Tupi, nós perfuramos dois poços e já temos informações que podem nos dizer mais ou menos qual é o volume que temos. Nós temos de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo", afirmou.
Também destacou outros projetos na região, que inclui os campos de Júpiter, Parati, Carioca, Bem-Te-Vi e Caramba, entre outros.
"Estamos com várias atividades de perfuração nessa região. Não temos condições hoje de dizer o volume, mas podemos afirmar que é muito óleo. Com certeza, dadas as estimativas, é muito óleo. Estamos frente a um potencial absolutamente gigantesco de reservas."
Leia mais
- Novas refinarias da Petrobras devem consumir mais de US$ 20 bi
- Petrobras pode deslocar quase todas as novas sondas para o pré-sal
- Petrobras cria fundo de R$ 100 mi para financiar fornecedores
- Prysmian e Petrobras fecham acordo de US$ 135 milhões
- Folha Explica o dólar e sua importância no mundo globalizado
Livraria da Folha
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
Especial


Mais cedo ou mais tarde alguem vai ter que buscar petroleo nas aguas da Argentina e o Brasil deveria estar nesse negocio.
avalie fechar
A independência energética do nosso país no atual momento de crise é crucial para atrair novos investimentos e gerar mais empregos.
Um outro ponto fundamental é não fazer desse projeto e da Petrobras um motivo de batalha política entre partidos de oposição.
Agora é o momento de deixar de lado qualquer divergência política e pensar no Brasil.
Quanto á demora da transnordestina, penso que é fundamental apoiar a CSN no projeto; e mais uma vez pensar em nosso país. Nosso grande país do presente e do futuro.
Espero que os dirigentes e todos envolvidos possam entender a mensagem e agir com a mais boa vontade de fazer as coisas acontecerem.
avalie fechar
avalie fechar