Reunião da ONU sobre a fome nada propõe contra "situação dramática"
da Folha Online
Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO, braço da ONU para Alimentação e Agricultura, havia dito, ao inaugurar na terça-feira (3) a Cúpula sobre Segurança Alimentar, que havia passado o tempo das palavras e era hora da ação. Dois dias depois, a cúpula termina sem ação alguma e quase sem palavras, relata o enviado especial Clóvis Rossi na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Após três dias de debates e discursos, foram anunciadas verbas de US$ 3 bilhões contra a fome --um décimo do que a FAO considera necessário. No documento, tido como decepcionante, o que ficou foi um pedido de "ação coordenada e urgente" contra a alta dos alimentos e a cobrança de mais investimentos na agricultura.
O texto não toma partido para os biocombustíveis, a principal bandeira internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pede somente a realização de "estudos em profundidade" e um "diálogo internacional".
A declaração final da cúpula foi aprovada, sob objeções e críticas de vários países, com os compromissos de eliminar a fome do mundo e de não utilizar os alimentos como um instrumento político e econômico.
Argentina, Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua condenaram fortemente a falta de medidas reais para a erradicação da fome no mundo. A representante equatoriana disse que "são muitos os países que não estão de acordo" com a minuta da declaração, embora nenhum tenha bloqueado a aprovação do documento, com exceção da Argentina, que fez objeção ao texto inteiro.
Os 193 países que integram a FAO, no entanto, se comprometeram a reduzir "à metade, até 2015", o número de pessoas que passam fome no mundo, segundo os termos da declaração final a que se chegou depois de complexas negociações.
Segundo dados divulgados durante a cúpula, 850 milhões de pessoas sofrem uma "situação dramática de emergência alimentar" de desnutrição e a nova crise de preços dos alimentos arrastou outros 100 milhões para a indigência.
Leia a matéria completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.
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