Relator da ONU se diz decepcionado com cúpula sobre alimentos
da France Presse, em Genebra
O relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o direito à Alimentação, Olivier de Schutter, lamentou nesta sexta-feira que a reunião de cúpula da FAO em Roma não tivesse enfrentado o "desequilíbrio de poder" entre as grandes empresas do setor agroalimentar e os camponeses.
Segundo os agricultores, as empresas do setor são um pequeno número de grandes companhias da área de sementes, ração e pesticidas. "Estas companhias, com produtos patenteados fixam os preços", destacou o especialista das Nações Unidas à imprensa em Genebra.
"Quando estes camponeses vendem sua colheita, estão novamente diante de grandes empresas que compram o fruto do trabalho no campo a preços que também podem ditar", afirmou.
"Os preços não são o resultado da oferta e da demanda, se desprendem de um mercado muito desigual", apontou.
Olivier de Schutter avaliou que há instrumentos para lutar contra a especulação, através da constituição de depósitos para permitir alimentar os mercados em caso de disparada de preços.
"Seria a arma mais factível para lutar contra a especulação se reconhecemos que a especulação é um problema", destacou.
O predecessor de Olivier de Schutter, Jean Ziegler, criticou com veemência as conclusões da Cúpula sobre Segurança Alimentar convocada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) em Roma, que anunciou quinta-feira (5) o propósito de reduzir para a metade até o ano 2015 do número de pessoas com fome no mundo.
Ziegler estima que a cúpula reflete "a vitória das grandes empresas que controlam cerca de 80% do comércio agrícola no mundo".
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