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Dinheiro
08/06/2008 - 09h07

Com Gol, Varig internacional ainda não "decola"

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da Folha de S. Paulo, no Rio

Após investir pesado na compra da Varig, fator que foi decisivo para o prejuízo que apresentou no primeiro trimestre deste ano, a Gol tem nas mãos hoje uma companhia que suspenderá todos os vôos intercontinentais até o final deste ano e que se volta para o mercado interno e a América do Sul.

Quando foi adquirida pela Gol, em março de 2007, os planos eram transformar a VRG, como foi nomeada após ser vendida, em uma empresa aérea com foco nos vôos internacionais e oferecendo um serviço premium no mercado interno. Do projeto, apenas a segunda parte se mantém.

Pressionada pelo aumento dos preços dos combustíveis, a companhia anunciou em 11 de abril deste ano que não operaria mais vôos para Cidade do México, Madri e Paris -- dessa forma, a empresa concentrará as operações internacionais na América do Sul em vôos para Bogotá, Buenos Aires, Caracas e Santiago do Chile.

No Brasil, a Varig continua a voar para as principais capitais. Segundo os últimos dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a companhia tem hoje 7,96% dos vôos domésticos e 18,66% dos vôos internacionais entre as companhias brasileiras. A sua taxa de ocupação nos vôos internacionais foi de 50%, percentual considerado baixo.

Quando comprou a Varig, a Gol demorou para conseguir aviões para realizar vôos intercontinentais. Tinha pressa, já que devia retomar algumas rotas para outros países no prazo dado pela Justiça --novembro de 2007--, sob pena de perdê-las para a concorrência.

Os primeiros aviões que chegaram não estavam em bom estado e tiveram que ser configurados para vôos intercontinentais, o que leva tempo.

Passageiros que procuraram a Varig, lembrando dos bons tempos da companhia aérea, não encontraram o serviço esperado.

O mau desempenho da Varig se refletiu no balanço. No primeiro trimestre deste ano, a Gol teve um prejuízo de R$ 74,1 milhões, puxado principalmente pelo resultado ruim da empresa adquirida em 2007.

Quando o balanço do primeiro trimestre foi divulgado, o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, disse que, entre o valor da aquisição, investimentos e perdas com as operações internacionais, a Gol já investiu R$ 1 bilhão na Varig. A empresa informou na ocasião que, excluindo a Varig dos resultados, a Gol teria tido lucro de R$ 200 milhões, pelo padrão contábil norte-americano.

Na época, a Gol informou a revisão para baixo da sua projeção de frota e também que pretende devolver os Boeings-737/ 300 e 767/300, padronizando a frota somente com Boeings-737/700 e 737/ 800.

 

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