Economistas prevêem juros de 14% e inflação de 5,55% em 2008, diz BC
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Economistas e analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central revisaram para cima novamente as previsões para juros e inflação em 2008.
A pesquisa semanal do Banco Central conhecida como relatório Focus mostra que os analistas esperam que a taxa básica de juros termine 2008 em 14% a.a., ante previsão de 13,75% ao ano feita na semana passada. Para o final de 2009, foi mantida a previsão de que a Selic estaria em 12,50%.
As previsões mudaram após o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) anunciar, na última quarta-feira, o aumentou da taxa básica de juros de 11,75% a.a. para 12,25% ao ano.
Agora, o mercado espera um aumento para 12,75% na reunião do Copom do final de julho; para 13,25% na reunião no início de setembro; 13,75% em outubro; e para 14% em dezembro (o Copom se reúne a cada 45 dias aproximadamente).
Inflação
Apesar dos juros mais altos, a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta de inflação, subiu pela 11ª semana seguida. O IPCA deve fechar o ano a 5,55%, acima dos 5,48% esperados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%. Para 2009, a previsão do IPCA ficou em 4,60%.
Os demais indicadores de inflação pesquisados pela instituição também tiveram as projeções para 2008 elevadas pelo mercado. O maior destaque foram os IGPs, que servem de base para o reajuste de aluguéis e tarifas.
A expectativa do mercado para o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) subiu de 8,92% para 9,01%; o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) teve a previsão aumentada de 8,70% para 8,73%; e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) ficaria em 5,50%, ante 4,99% da semana anterior. A estimativa de inflação para os preços administrados ficou em 3,70%.
PIB
A previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) subiu de 4,75% para 4,77% em 2008. Para 2009, foi mantida a previsão de 4%. Ambas estão abaixo da projeção oficial do governo, de 5% para os dois anos.
A estimativa para o dólar ficou em R$ 1,70 para o final deste ano. Para dezembro de 2009, a previsão subiu de R$ 1,77 para R$ 1,78.
A previsão do saldo da balança comercial em 2008 caiu de US$ 24 bilhões para US$ 23 bilhões. Para 2009, foi mantida em US$ 15 bilhões.
Contas externas
Foram mantidas as expectativas de investimentos estrangeiros diretos de US$ 33 bilhões (2008) e US$ 30 bilhões (2009).
Houve ligeira queda na previsão para a relação dívida/PIB, de 41,20% para 41,15% neste ano. Por fim, piora no saldo em conta corrente, com um resultado negativo de US$ 22 bilhões para US$ 22,90 bilhões.
Maio e junho
Nessa semana será divulgado o dado do IPCA de maio. A expectativa do mercado é que o indicador aponte inflação de 0,63%. Há quatro semanas, a previsão era de uma inflação de 0,40%. Para junho, se espera uma taxa de 0,45%, mesma inflação esperada para o IPC-Fipe.
Para o IGP-DI e o IGP-M de junho, as estimativas são de uma inflação de 0,90% e 0,95%, respectivamente.
O mercado também prevê um dólar de R$ 1,65 no final do mês corrente.
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