Governo quer agricultura familiar e fertilizantes contra crise de alimentos
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O governo federal pretende a ampliar a agricultura familiar no país como alternativa para ajudar na solução da crise internacional de alimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem como objetivo aumentar a produção de fertilizantes brasileiros para reduzir a importação do produto --que chega a 75% do que é consumido atualmente-- como outro mecanismo para combater a alta dos preços dos alimentos.
Durante reunião ministerial conduzida por Lula nesta segunda-feira no Palácio do Planalto, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) defendeu o incremento da agricultura em pequenas propriedades no país para ampliar a oferta brasileira de alimentos.
O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), por sua vez, apoiou o aumento na produção de fertilizantes para reduzir a importação do produto, essencial na produção de vários tipos de alimentos.
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que o governo vai dialogar com a Petrobras e Vale do Rio Doce em busca de alternativas que permitam o aumento da produção de fertilizantes.
"Tivemos acréscimo [no preço dos fertilizantes] que passaram de 100% em um país com inflação em torno de 4%. A produção de fertilizantes no mundo está nas mãos de quatro grupos. Vamos precisar do envolvimento da Petrobras, Vale do Rio Doce, para que haja incremento na produção de adubo", disse Múcio.
O ministro disse que o Brasil há chegou a produzir 60% dos fertilizantes consumidos no país, mas com o aumento da produção de alimentos, o índice teve queda no país. A intenção do governo, de acordo com o ministro, é passar a produzir 80% dos fertilizantes consumidos atualmente.
"A maior dificuldade é na área de produção de potássio. Talvez das jazidas em estudo seja o único elemento em que não tempos possibilidade de ser auto-suficiente. O presidente pediu para que os ministros Edison Lobão [Minas e Energia] e Dilma Rousseff [Casa Civil] e ministros da área se reúnam com a Petrobras e a Vale para ver que providências podemos tomar para mudar o quadro", afirmou Múcio.
Em relação à agricultura familiar, o ministro disse que o objetivo do governo é aumentar as ferramentas utilizadas pelos pequenos produtores rurais para que ampliem a oferta.
"Temos extensas áreas, mas podemos aumentar e muito a participação da agricultura familiar na produção de alimentos. Foi apresentado que precisávamos dar ferramentas aos pequenos agricultores, com tecnologia e assistência técnica mais detalhada, financiamento a preços especiais de máquinas e tratores. Nós precisamos melhorar a técnica de quem faz isso", disse Múcio.
Eleições
A primeira parte da reunião ministerial desta segunda-feira foi dedicada à discussão de temas econômicos, como a crise internacional de alimentos e o recente aumento na taxa básica de juros da economia. Na segunda parte do encontro, o presidente Lula vai discutir com os ministros regras de atuação do governo durante as eleições municipais de outubro.
Lula vai pedir aos seus auxiliares para acelerarem a execução de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nos Estados e municípios até o final de junho, com o objetivo de evitar a "paralisia" de seu governo nos meses que antecedem a disputa eleitoral.
O objetivo do presidente é assegurar a liberação de pelo menos R$ 1,5 bilhão para obras do programa que estão em posse da Caixa Econômica Federal -- uma vez que no segundo semestre estará impedido pela lei eleitoral.
Pelo menos 30 ministros participam da reunião no Palácio do Planalto, além do vice-presidente José Alencar. Os ministros Orlando Silva (Esportes), Carlos Lupi (Trabalho), Gilberto Gil (Cultura) e Nilcéia Freire (Secretaria de Políticas para Mulheres) não compareceram por motivos de agenda.
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