Dinheiro
09/06/2008 - 14h24

Bancos europeus tentam tirar proveito da alta dos preços dos alimentos

da France Presse

Colher os frutos da alta dos preços agrícolas é a proposta do Deutsche Bank e outros bancos ao promover seus serviços financeiros, uma atitude denunciada pela organização francesa Attac (Associação pela Taxação das Transações Financeiras e pelo Auxílio aos Cidadãos) no momento em que os países pobres são duramente atingidos pela crise alimentar.

O Deutsche Bank realizou há algumas semanas uma campanha publicitária em Frankfurt (oeste), onde está sua sede. "Você está satisfeito com a alta dos preços?", podia-se ler nos panfletos distribuídos em padarias, fazendo alusão aos fundos de investimento do banco relacionados às matérias-primas agrícolas.

A campanha não durou muito, já que, diante dos protestos da Attac, o Deutsche Bank retirou as propagandas e seu presidente, Josef Ackermann, pediu desculpas públicas.

O argumento do banco alemão, de "colher os frutos de uma possível alta dos produtos agrícolas", soou como uma provocação para a Attac, já que a disparada de preços ameaça com a fome os povos dos países pobres, um tema que foi abordado pela recente cúpula da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em Roma (Itália) na semana passada.

"Foi demais", disse a porta-voz da Attac em Frankfurt, Jutta Sundermann.

O presidente do Ecofin (grupo de ministros de Finanças da zona do euro), Jean-Claude Juncker, também atacou os especuladores dos mercados de matérias-primas agrícolas, acusando-os de contribuir para o aumento dos preços. "São criminosos e aves de rapina", disse.

Diante dessas críticas, os bancos que propõe aos seus clientes esses tipos de investimentos optaram pela discrição, apesar de manterem os fundos.

Os bancos suíços Credit Suisse e UBS, o francês BNP Paribas e o alemão Commerzbank, por exemplo, oferecem produtos vinculados aos produtos agrícolas de natureza muito variada. Alguns investimentos são altamente especulativos, outros não, e estão destinados a investidores institucionais e particulares.

O BNP Paribas destaca que o investimento não é especulativo, enquanto que o Deutsche Bank insiste nos modestos volumes envolvidos, 500 milhões de euros.

Mas a tendência é de alta. "A oferta desses tipos de produtos por parte dos bancos vem aumentando muito desde 2007", disse Sundermann.

O analista do LBBW Sven Streitmayer compartilha da opinião. "Há uma tendência em alta, mas essas ofertas continuam sendo uma parte muito pequena do mercado global", estimou.

O volume de produtos derivados relacionados às matérias-primas em um sentido lato (agrícolas, mas também metais ou petróleo) explodiu nos últimos anos e representava 9 bilhões de dólares no fim de 2007, contra 5,4 bilhões no fim de 2005, disse.

O Deutsche Bank recusa a acusação e que está ganhando dinheiro com a miséria humana.

A alta dos preços alimentícios é explicada principalmente pelo forte aumento da população mundial, uma mudança dos hábitos alimentares e, ao mesmo tempo, uma redução das superfícies agrícolas, em parte devido aos biocombustíveis, recordou um porta-voz do banco alemão.

Segundo Ralph Stemper, encarregado dos produtos derivados do Commerzbank, essas críticas "não tem sentido". "O investidor decide apenas que produtos comprar", argumentou.

Comentários dos leitores
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
É o preço que países como o Brasil, por ser excencialmente agricola, têm que pagar. Seus produtos são negociados no mercado de "commodites" onde só os fortes interesses conseguem manejá-lo sem opinião
avalie fechar
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
O povo tem que parar de fazer filho. O Brasil está atrasando em 100 anos sua entrada no 1o. mundo pq os pobres fazem 5 filhos por casal enquanto a classe média faz 1. Resultado: A juventude do Brasil não estuda. O pior é que o Estado faz de conta que não acontece nada.
A pobreza é um problema cultural, e é difícil o Estado resolver. É muito difícil mudar a cabeça de uma pessoa. Os pais não estudaram, os filhos não estudam e os netos também não vão estudar. Apenas uma pequeníssima parcela estuda e ascende socialmente.
Solução de longo prazo para o Brasil: Esterilização compulsória quando a mulher dá a luz ao segundo filho na rede pública de saúde e mutirões de vasectomia. Isso vai se refletir daqui 20 anos na segurança pública, nos índices de escolaridade, na diminuição da pressão sobre os serviços públicos (postos de saúde, creches).
Coragem pra dizer e fazer isso? Ninguém tem.
sem opinião
avalie fechar
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
As verdadeiras causas das mudanças climática são muitas dentre elas destaco : o consumismo que para atende-lo precisamos explorar cada vez mais isto é retirar sempre que a demanda o exigir; o grande crescimento da população que para sobreviver precisa cada vez mais de espaço e alimento e não havendo controle da natalidade acabaremos consumindo tudo como um gafanhoto; o petroléo é nossa pricipal fonte energetica e precisamos depender cada vez menos do petroléo e não adianta sair culpando os carteis do petroléo, pois nos é quem somos dependêntes, quero ver você poder ir trabalhar, viajar se locomover sem seu carro. Temos sim que encontrar outras fontes energeticas pouco poluentes porque não existe fontes de energia não poluentes, pois onde tiver a existência do ser humano haverá poluição. Somos a unica espécie que não esta em equilibrio, pois os animais alimentam-se uns dos outros, quer dizer que um morre para o outro sobreviver e na nossa espécie alimentamos de quase tudo e todos e não temos predadores. A unica forma de viver sem poluir é larga a mordomia da civilização mordena e vivermos como os indios, quem se habilita?
A culpa das mudanças climáticas são de todos e a unica forma de isso acabar é eliminando os seres humanos.
4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (181)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca