Bancos europeus tentam tirar proveito da alta dos preços dos alimentos
da France Presse
Colher os frutos da alta dos preços agrícolas é a proposta do Deutsche Bank e outros bancos ao promover seus serviços financeiros, uma atitude denunciada pela organização francesa Attac (Associação pela Taxação das Transações Financeiras e pelo Auxílio aos Cidadãos) no momento em que os países pobres são duramente atingidos pela crise alimentar.
O Deutsche Bank realizou há algumas semanas uma campanha publicitária em Frankfurt (oeste), onde está sua sede. "Você está satisfeito com a alta dos preços?", podia-se ler nos panfletos distribuídos em padarias, fazendo alusão aos fundos de investimento do banco relacionados às matérias-primas agrícolas.
A campanha não durou muito, já que, diante dos protestos da Attac, o Deutsche Bank retirou as propagandas e seu presidente, Josef Ackermann, pediu desculpas públicas.
O argumento do banco alemão, de "colher os frutos de uma possível alta dos produtos agrícolas", soou como uma provocação para a Attac, já que a disparada de preços ameaça com a fome os povos dos países pobres, um tema que foi abordado pela recente cúpula da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em Roma (Itália) na semana passada.
"Foi demais", disse a porta-voz da Attac em Frankfurt, Jutta Sundermann.
O presidente do Ecofin (grupo de ministros de Finanças da zona do euro), Jean-Claude Juncker, também atacou os especuladores dos mercados de matérias-primas agrícolas, acusando-os de contribuir para o aumento dos preços. "São criminosos e aves de rapina", disse.
Diante dessas críticas, os bancos que propõe aos seus clientes esses tipos de investimentos optaram pela discrição, apesar de manterem os fundos.
Os bancos suíços Credit Suisse e UBS, o francês BNP Paribas e o alemão Commerzbank, por exemplo, oferecem produtos vinculados aos produtos agrícolas de natureza muito variada. Alguns investimentos são altamente especulativos, outros não, e estão destinados a investidores institucionais e particulares.
O BNP Paribas destaca que o investimento não é especulativo, enquanto que o Deutsche Bank insiste nos modestos volumes envolvidos, 500 milhões de euros.
Mas a tendência é de alta. "A oferta desses tipos de produtos por parte dos bancos vem aumentando muito desde 2007", disse Sundermann.
O analista do LBBW Sven Streitmayer compartilha da opinião. "Há uma tendência em alta, mas essas ofertas continuam sendo uma parte muito pequena do mercado global", estimou.
O volume de produtos derivados relacionados às matérias-primas em um sentido lato (agrícolas, mas também metais ou petróleo) explodiu nos últimos anos e representava 9 bilhões de dólares no fim de 2007, contra 5,4 bilhões no fim de 2005, disse.
O Deutsche Bank recusa a acusação e que está ganhando dinheiro com a miséria humana.
A alta dos preços alimentícios é explicada principalmente pelo forte aumento da população mundial, uma mudança dos hábitos alimentares e, ao mesmo tempo, uma redução das superfícies agrícolas, em parte devido aos biocombustíveis, recordou um porta-voz do banco alemão.
Segundo Ralph Stemper, encarregado dos produtos derivados do Commerzbank, essas críticas "não tem sentido". "O investidor decide apenas que produtos comprar", argumentou.
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