Sem especulação, preço do petróleo estaria em US$ 70, diz Opep
da Efe, em Argel
da Folha Online
Sem o atual clima de especulação no mercado petrolífero, o barril da commodity estaria em aproximadamente US$ 70, afirmou nesta segunda-feira o presidente em exercício da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil.
"Não há problemas de oferta e demanda. O preço do barril seria de US$ 70 se não houvesse uma bolha causada pela especulação", disse Khelil.
Ele afirmou que a oferta de petróleo supera atualmente a demanda no mercado mundial e acrescentou que contribuem para o encarecimento da commodity a fraqueza do dólar motivada pela crise econômica dos Estados Unidos e "tensões geopolíticas", em referência à hostilidade crescente entre Israel e Irã devido ao programa nuclear iraniano.
Pelo menos US$ 40 dos quase US$ 140 que custa o barril de petróleo são causados pela depreciação do dólar, disse.
O ministro argelino lembrou que a Opep mantém a reunião prevista para 9 de setembro em Viena com o objetivo de avaliar o mercado e tomar decisões para estabilizá-lo.
Hoje, o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse que a culpa pela disparada dos preços da commodity vista nos últimos meses é da expansão da demanda --e não da especulação do mercado. "Não vimos a capacidade de produção do petróleo aumentar de modo considerável nos últimos dez anos, enquanto a demanda cresceu significativamente", disse. "Precisamos elevar de verdade os investimentos em capacidade de produção de petróleo e de fontes alternativas de combustível."
'Não acredito que os investidores do mercado financeiro tenham algum grau relevante de responsabilidade pelos movimentos de preços", acrescentou.
Na semana passada, o preço do petróleo ofereceu uma demonstração de sua volatilidade: na quarta-feira (4), o Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de gasolina no país cresceram em 2,9 milhões de barris no período, superando a previsão de alta de 1,2 milhão de barris e atingindo 209,1 milhões de barris. A reação no dia foi de queda no preço do petróleo --o barril recuou para US$ 122.
Na sexta-feira (6), no entanto, o ministro dos Transportes de Israel, Shaul Mofaz, disse em reportagem do diário israelense "Yediot Ahronot" que o Irã pode ser atacado se não abandonar seu programa nuclear. A reação não demorou a chegar, na forma de dois recordes: durante as negociações, o preço chegou a US$ 139,01, maior da história da negociação da commodity em Nova York; no fechamento, o barril ficou em US$ 138,54, alta de US$ 10,71, ou 8,41% --a maior alta para uma única sessão.
Hoje o petróleo voltou ao patamar de US$ 135.
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