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Dinheiro
09/06/2008 - 17h18

Fed dá seis meses para bancos reformarem sistema de crédito

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da France Presse, em Washington

O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) apresentou nesta segunda-feira ao grandes bancos uma série de mudanças que deseja implantar no mercado de crédito (e seus derivados), cujos procedimentos contribuíram para agravar a crise financeira das hipotecas de alto risco.

O Fed deu seis meses para se alcançar um acordo, destacando que a autoridade monetária --e reguladora-- não pode solucionar todos os problemas do mercado.

Dezessete grandes bancos, que representam mais de 90% das transações no mercado de crédito, foram chamados para a sede do Fed em Nova York, para conhecer a proposta do banco central, informou Timothy Geithner, presidente do escritório.

O Fed quer, sobretudo, implantar uma estrutura de regulação centralizada para os contratos de cobertura contra riscos de crédito, afirmou Geithner, em uma conferência em Nova York.

O presidente do Fed de NY informou que há a intenção de reduzir o volume dos contratos e incorporar nos contratos uma dispositivo para facilitar sua administração em caso de insolvência, além de aumentar as informações sobre as transações.

Os papéis atrelados ao crédito, que têm permitido uma explosão da atividade bancária nos últimos anos, contribuíram em muito para o agravamento da crise do mercado hipotecário de alto risco ("subprime") nos EUA.

O objetivo das mudanças propostas é "melhorar a capacidade do sistema financeiro em resistir às conseqüências da quebra de qualquer instituição importante", acrescentou o presidente do Fed em NY, que desempenhou um papel importante no socorro do banco de investimentos Bear Stearns por parte do JPMorgan.

Geithner deu um ultimato para os bancos reformarem suas práticas. "Introduzir estas mudanças levará algum tempo, mas esperamos conseguir progressos significativos nos próximos meses", disse.

Estas medidas a curto prazo "não são mais que um começo", segundo Geithner. Para ele, a iniciativa deveria resultar em uma reforma mais ampla do sistema regulatório dos EUA e do mercado mundial.

A autoridade monetária deverá também fazer sua parte, dificultando que instituições pouco capitalizadas possam atuar no mercado hipotecário e facilitando a transparência das instituições que captam produtos financeiros complexos.

Geithner destacou que o poder público não pode gerir sozinho todos os problemas dos bancos. "A regulamentação não pode conferir o sentido de integridade, de antecipação do juízo dos que são responsáveis pela gestão destes estabelecimentos", disse.

 

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