Política de juros deveria considerar preços de alimentos e energia, diz Fed
da Folha Online
O presidente do Federal Reserve de Boston (uma das 12 divisões regionais do Fed, o BC americano), Eric Rosengren, disse nesta terça-feira que o banco deveria, no longo prazo, basear sua política monetária no índice geral de preços ao consumidor --o CPI, na sigla em inglês-- e não no núcleo do índice --que exclui os preços de alimentos e energia.
"No longo prazo, em minha opinião, é a inflação geral --mais que o núcleo, que exclui os componentes mais voláteis, que são alimentação e energia-- a que deveria receber atenção na política monetária", disse Rosengren.
Nos 12 meses encerrados em abril, a inflação geral nos EUA teve alta de 3,9%; o núcleo da inflação no mesmo período teve alta de 2,3% --pouco acima do considerado adequado pelo banco, 2%.
Devido ao caráter mais volátil dos preços de alimentos e energia, o Fed desconsidera esses dois itens na escolha do indicador de inflação que toma como base para sua decisão sobre juros.
"Algumas pessoas levantaram a questão de que o comportamento futuro da inflação pode ser diferente do que foi no passado, talvez porque os aumentos de preços de alimentos e energia não serão mais transitórios, e sim serão um elemento duradouro do cenário econômico", afirmou Rosengren. "A alta de preços dos alimentos e da energia podem ser tornar a norma se a demanda por essas commodities superar a oferta em uma base contínua ou prolongada."
Ontem, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que o banco não permitirá que se instale a idéia de que a inflação vai se acelerar. O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) "resistirá com firmeza a um agravamento das expectativas da inflação a longo prazo, já que isto poderia desestabilizar o crescimento e alimentar a própria inflação", disse.
O Fed deve examinar o nível de suas taxas básicas de juros em sua próxima reunião de política monetária, nos dias 24 e 25 deste mês.
Dólar e petróleo
Rosengren discordou da visão de que o dólar fraco esteja por trás da recente disparada de preços do petróleo. "A taxa de câmbio não pode explicar mais que uma pequena fração da mudança no preço do petróleo", afirmou.
"Mesmo se o preço do petróleo continuar a subir muito mais rápido que o núcleo da inflação nos EUA por um período prolongado, a experiência dos últimos 20 anos mostra que há uma correlação relativamente baixa entre os movimentos do preço do petróleo e a taxa subjacente do núcleo da inflação."
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