Presidente da Fiesp reclama do aumento de impostos superar o da produção
FABIANA FUTEMA
Editora de Brasil da Folha Online
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, contrapôs, nesta terça-feira, o crescimento de 5,8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro nos três primeiros meses deste ano e o aumento da arrecadação de impostos, que oneram a atividade industrial.
"O que nos chama muito a atenção é o tamanho do crescimento dos impostos indiretos, que também compõem o PIB. O crescimento [da arrecadação de impostos] foi de 8%, enquanto o do PIB foi de 5,8% e o da indústria, de 5,7% [acumulado nos últimos quatro trimestres]. Este é o sexto trimestre consecutivo de crescimento de impostos", afirmou. "O crescimento dos impostos é maior do que o da produção."
Segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira, a arrecadação com impostos sobre produtos cresceu 8% de janeiro a março, na comparação com período correspondente em 2007. Ao todo, a arrecadação com impostos sobre produtos somou R$ 104,8 bilhões no 1º trimestre.
O investimento recorde e a forte atividade industrial puxaram o desempenho da economia brasileira no início deste ano, segundo o IBGE. Para Skaf, "o país tem todas as condições de ter um crescimento sustentável", mas com ressalvas.
"Aumento de juros, câmbio sobrevalorizado e criação de novos impostos vão na contramão do crescimento", disparou Skaf.
Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a indústria registrou expansão de 6,9% entre janeiro e março deste ano. É a maior taxa de expansão do setor desde o segundo trimestre de 2004, quando foi de 12,3%, segundo o IBGE.
Somente a construção civil teve crescimento de 8,8% de janeiro a março, na comparação com igual período em 2007. É maior nível de expansão industrial desde o período de abril a junho de 2004, quando tal incremento chegara a 10,6%.
A indústria de transformação foi outro destaque no resultado geral da industria, com alta de 7,3% no primeiro trimestre deste ano. O segmento de transformação e a construção civil representam, juntos, 80% da produção industrial.
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