Mantega vê desaceleração positiva e mantém previsão do PIB em 5%
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A ligeira desaceleração do crescimento da economia divulgada nesta terça-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi bem recebida pelo governo, que vê nos dados uma redução dos riscos de alta da inflação.
"Nós estamos satisfeitos com o resultado que indicou um crescimento, nos últimos quatro trimestres, de 5,8% do PIB. Mais satisfatório ainda é perceber que esse crescimento está acontecendo de forma cada vez mais equilibrada", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Entenda o que é PIB e como é feito seu cálculo
Ele afirmou que houve uma desaceleração do consumo entre o último trimestre de 2007 e os primeiros três meses de 2008, de 8,6% para 6,6%, o que é suficiente para manter o estímulo para o investimento no país sem superaquecer a economia.
'A novidade desse PIB é que nós temos uma convergência maior entre a demanda, que é o consumo das famílias, e a oferta, que é o investimento. Não quer dizer que a demanda caiu, ela apenas perdeu uma parte do seu ímpeto, desacelerou e caminha mais próxima da oferta, portanto, afasta problemas inflacionários', disse o ministro.
Mantega atribuiu parte desse movimento às medidas do governo para reduzir a oferta de crédito e a quantidade de dinheiro na economia. Entre elas, o aumento do IOF sobre crédito, o recolhimento compulsório para o setor de leasing e a redução de gastos do governo.
'Era desejável que houvesse uma ligeira desaceleração e o governo tomou medidas para isso. Nós não estamos derrubando a demanda, é apenas uma ligeira desaceleração. É jogar um pouco de água na fervura', afirmou.
O ministro reafirmou também a meta de crescimento da economia para os próximos anos, de 5% para 2008, 2009 e 2010.
'Essas medidas que o governo já tomou conseguiram reduzir um pouco a demanda agregada, isso já está surtindo efeito, e ela caminha para uma trajetória compatível com o crescimento de 5% do PIB.'
Juros
O ministro não quis dizer se a desaceleração da economia pode se refletir em um aumento menor da taxa básica de juros.
"A demanda está se consolidando em um nível entre 6,5% e 7%, que é uma demanda desejável e suficiente para manter o estímulo para o investimento", disse. "Se alivia ou não os juros, você tem de perguntar para o Banco Central."
Afirmou, no entanto, que as circunstâncias responsáveis pela alta da Selic não devem se repetir no futuro e manteve a previsão de crescimento de 5% para 2009 e 2010.
"Não sei quanto tempo vai durar o aumento de juros do Banco Central. Eu continuo trabalhando no sentido de manter essa mesma taxa de crescimento também para 2009", afirmou. "[A taxa] subiu por uma série de condições e circunstâncias que eu acredito que não vão se repetir no futuro."
Resultado
Com investimento recorde e forte atividade industrial, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 5,8% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, a economia movimentou R$ 665,5 bilhões de janeiro a março, 0,7% acima do constatado em trimestre imediatamente anterior.
A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados no primeiro trimestre deste ano) também indica alta de 5,8% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, a mais acentuada desde 1996.
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