Dinheiro
10/06/2008 - 16h27

Mantega vê desaceleração positiva e mantém previsão do PIB em 5%

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

A ligeira desaceleração do crescimento da economia divulgada nesta terça-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi bem recebida pelo governo, que vê nos dados uma redução dos riscos de alta da inflação.

"Nós estamos satisfeitos com o resultado que indicou um crescimento, nos últimos quatro trimestres, de 5,8% do PIB. Mais satisfatório ainda é perceber que esse crescimento está acontecendo de forma cada vez mais equilibrada", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Entenda o que é PIB e como é feito seu cálculo

Ele afirmou que houve uma desaceleração do consumo entre o último trimestre de 2007 e os primeiros três meses de 2008, de 8,6% para 6,6%, o que é suficiente para manter o estímulo para o investimento no país sem superaquecer a economia.

'A novidade desse PIB é que nós temos uma convergência maior entre a demanda, que é o consumo das famílias, e a oferta, que é o investimento. Não quer dizer que a demanda caiu, ela apenas perdeu uma parte do seu ímpeto, desacelerou e caminha mais próxima da oferta, portanto, afasta problemas inflacionários', disse o ministro.

Mantega atribuiu parte desse movimento às medidas do governo para reduzir a oferta de crédito e a quantidade de dinheiro na economia. Entre elas, o aumento do IOF sobre crédito, o recolhimento compulsório para o setor de leasing e a redução de gastos do governo.

'Era desejável que houvesse uma ligeira desaceleração e o governo tomou medidas para isso. Nós não estamos derrubando a demanda, é apenas uma ligeira desaceleração. É jogar um pouco de água na fervura', afirmou.

O ministro reafirmou também a meta de crescimento da economia para os próximos anos, de 5% para 2008, 2009 e 2010.

'Essas medidas que o governo já tomou conseguiram reduzir um pouco a demanda agregada, isso já está surtindo efeito, e ela caminha para uma trajetória compatível com o crescimento de 5% do PIB.'

Juros

O ministro não quis dizer se a desaceleração da economia pode se refletir em um aumento menor da taxa básica de juros.

"A demanda está se consolidando em um nível entre 6,5% e 7%, que é uma demanda desejável e suficiente para manter o estímulo para o investimento", disse. "Se alivia ou não os juros, você tem de perguntar para o Banco Central."

Afirmou, no entanto, que as circunstâncias responsáveis pela alta da Selic não devem se repetir no futuro e manteve a previsão de crescimento de 5% para 2009 e 2010.

"Não sei quanto tempo vai durar o aumento de juros do Banco Central. Eu continuo trabalhando no sentido de manter essa mesma taxa de crescimento também para 2009", afirmou. "[A taxa] subiu por uma série de condições e circunstâncias que eu acredito que não vão se repetir no futuro."

Resultado

Com investimento recorde e forte atividade industrial, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 5,8% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, a economia movimentou R$ 665,5 bilhões de janeiro a março, 0,7% acima do constatado em trimestre imediatamente anterior.

A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados no primeiro trimestre deste ano) também indica alta de 5,8% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, a mais acentuada desde 1996.

Comentários dos leitores
Felipe Santos (176) 10/07/2008 08h54
Felipe Santos (176) 10/07/2008 08h54
Sr. Carlos Lobitsky a inflação tem suas causas no preço do petróleo e commodities, mas temos a demanda interna pressionando-a também, já que o Brasil sempre teve gargalos no seu meio produtivo. Nunca conseguimos crescer sem inflação por causa destes gargalos. O sr. parece entender de política, então me diga uma política tomada pelo governo para o crescimento sustentável do país. A única coisa feita até agora foi a manutenção na taxa de juros que é totalmente independente do governo. Agora, não tivemos a tão falada reforma tributária, os investimentos necessários para tornar o país eficiente não estão sendo feitos e sim só usados como campanha política. Bolsa-família não faz país nenhum crescer, o que faz gerar crescimento é tornar nossas empresas competitivas para que estas contratem e não só dependam da taxa de juros. Nossa participação no mercado internacional só vem caindo e çom certeza não é só por causa do dólar. A questão não é jogar contra o governo é faze-lo abrir os olhos, pois outra oportunidade foi perdida. sem opinião
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Felipe Santos (176) 07/07/2008 08h37
Felipe Santos (176) 07/07/2008 08h37
Agora vamos ver se o PT sabe administrar e governar mesmo, pois o cenário internacional mudou e como exaustivamente dito neste forum, o governo não aproveitou o momento bom da economia mundial para tomar decisões importantes para o Brasil, ao invez disto, só se gastou e se tomou medias com fins políticos, a única coisa feita foi a manutenção da taxa de juros. Poderiamos ter tornado a nossa industria eficiente, etc. O Brasil é tão frágil ainda que em poucos meses já se tem uma deterioração grande dos seus indicadores economicos. A inflação voltou, já se projeta crescimento abaixo da média da América Latina e toda aquela novela que já conhecemos e que tanto foi avisada e contada neste forum. 1 opinião
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M Mig (863) 30/06/2008 21h25
M Mig (863) 30/06/2008 21h25
Esse indice de crescimento é uma piada, já fomos passados para trás por varios paises considerados economicamente piores que o Brasil. Já ouvimos muitas histórias ou estórias sobre ter dinheiro para saldar a divida externa e recordes de arrecadação... mas na pratica ainda não vimos nada... só medidas com fins eleitoreiros e que não podem ser consideradas. Que tal investir em produção interna?? Afinal a melhoria no nivel de risco para investimentos extrangeiros tão festejada não pôs dinheiro no bolso do trabalhador.... mas investimentos internos sim... Alias, que o tal presidente olhar um pouco pelo trabalhador brasileiro ao invés de fazer tanta propaganda vã ?? 5 opiniões
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