Segundo dia de greve na Espanha começa a causar desabastecimento
da Folha Online
O segundo dia da greve de transportadores contra o alto preço da gasolina foi marcado nesta terça-feira por novas retenções nas entradas das grandes cidades espanholas e pela morte de um membro de um piquete. Com a paralisação, partes do país começam a sofrer com desabastecimento de alguns produtos.
A paralisação teve forte adesão, segundo a organização de caminhoneiros Fenadismer, que convocou a greve por tempo indeterminado para pedir a adoção de medidas por parte do governo que compensem o aumento do combustível, de quase 20% esse ano.
O trabalhador morreu atropelado por uma van na porta de um mercado na província de Granada, na Andaluzia. O incidente ocorreu quando o homem se aproximou do veículo para explicar ao ocupante os motivos da greve, disseram à Efe fontes da Guarda Civil. O motorista da van foi detido.
O governo tenta interromper com negociações uma greve que já provocou, por exemplo, o fechamento de algumas fábricas e postos de gasolina, o bloqueio do acesso a portos, áreas logísticas e urbanas, e a queda de 95% dos produtos que entram no Mercado Central de Abastecimento de Madri (Mercamadrid) em relação à semana passada.
Dirigentes do sindicato, o segundo maior da Espanha --que representa 70 mil caminhoneiros de um total de 381 mil-- deveriam se reunir nesta terça-feira com funcionários do ministério dos Transportes, mas o diálogo foi suspenso durante a tarde por causa do atropelamento.
Nesta semana, cinco transportadores foram detidos por perturbação da ordem pública quando participavam de um piquete perante em um polígono industrial da localidade de San Isidro, em Alicante.
Piquetes
Fontes da Guarda Civil da região de La Junquera (nordeste da Espanha) informaram à Efe que piquetes de transportadores começaram a parar o tráfego na altura da passagem fronteiriça de Le Perthus.
Um outro grupo de manifestantes deteve a circulação a dez quilômetros da fronteira por essa mesma via, onde se podia observar uma longa fila de caminhões parados.
Um porta-voz da polícia autônoma catalã da província de Gerona informou à Efe que as autoridades tentam resolver a situação dos carros de passeio e ônibus, para evitar que fiquem parados na fronteira.
Outros protestos aconteceram, por parte não só de caminhoneiros, mas também de pescadores, em Portugal, Itália, Bélgica, Reino Unido, Holanda e França nos últimos dias devido à alta dos combustíveis.
Sindicatos europeus afirmam que o custo do óleo diesel está muito alto, obrigando vários pescadores a desistir da profissão.
Com Efe
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