Governo prepara manobra na Anatel para criação de supertele
da Folha Online
Reportagem de Valdo Cruz publicada na Folha desta quarta-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal) revela que o governo pode lançar mão de uma manobra regimental para superar o impasse existente na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que atrasa a aprovação oficial da fusão entre as companhias telefônicas Brasil Telecom e Oi.
Diante do receio de ser acusado de repetir o estilo adotado na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), com o uso de pressão para chegar a uma decisão, o governo pode indicar um conselheiro substituto para "desempatar" o impasse na agência de telecomunicações.
A Anatel está dividida em relação à operação. Seus quatro conselheiros são favoráveis à fusão, mas dois deles --Pedro Jaime Ziller e Plinio de Aguiar Júnior-- defendem que sejam criadas empresas separadas para gerir a telefonia fixa e a banda larga.
A nomeação de um quinto conselheiro não precisaria ser aprovada pelo Senado e permitiria que a proposta de compra da Brasil Telecom pela Oi --cuja operação foi concluída no fim de abril por R$ 5,863 bilhões-- siga para consulta pública pelo período de 30 dias.
Leia a matéria completa na Folha desta quarta, que está nas bancas.
Mudança na lei
Depois da consulta pública, o conselho diretor da Anatel se reúne para aprovar o texto final da fusão, que passa pelo conselho consultivo da agência e segue para o Ministério das Comunicações.
Cabe ao presidente Lula mudar o PGO (Plano Geral de Outorgas), que atualmente proíbe que uma empresa de telefonia fixa compre outra em área diferente. Na prática, a modificação permitirá a aprovação da compra.
O ministro Hélio Costa (Comunicações) disse, em maio, que conselheiros da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) vêem como possível a compra da Brasil Telecom pela Oi, acertada no mês passado.
O ministro disse ainda que a demora na aprovação das mudanças no PGO (plano Geral de Outorgas) é normal por se tratar de um processo importante. "É uma questão de preocupações que eu acho válida para que uma decisão como essa não fique devendo nenhuma explicação".
Para a Oi, a hipótese de a Anatel não aprovar o PGO criaria um problema para a empresa. Segundo o presidente Luiz Eduardo Falco, "se não for aprovado, vai ser um problema porque nós não vamos poder fazer o que acreditamos e vamos ter que pagar uma conta de R$ 815 milhões, que é muito dinheiro".
Leia mais
- Anatel adia pela terceira vez votação de mudanças no PGO
- Conselheiros da Anatel divergem sobre PGO, diz Sardenberg
- Hipótese de Anatel não aprovar PGO traria prejuízo milionário, diz Oi
- Anatel deve aprovar mudança que permite fusão Oi/BrT, diz Hélio Costa
- Blog do Josias: Oi pressiona governo para autorizar a "supertele"
- Costa diz que foi "espectador" do acordo entre BrT e Oi
- Oi e Brasil Telecom planejam investir R$ 30 bilhões em cinco anos
Livraria da Folha
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
- André Singer relata em livro formação do Partido dos Trabalhadores; leia introdução
- Livro narra momentos históricos da cena política no Brasil a partir do fotojornalismo
Especial

