Brasil passará por sacrifício, diz Coutinho ao mencionar alta dos juros
YGOR SALLES
da Folha Online
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, admitiu nesta quinta-feira que o Brasil passará por um "período de sacrifício" nos próximos meses, se referindo ao aumento da taxa de juros básica. O Copom elevou a Selic de 11,75% para 12,25% na última reunião, a segunda alta do ano.
"A inflação tem preocupado o presidente Lula, que pediu todos os esforços para evitar o aumento da inflação", disse Coutinho durante o Congresso da Indústria 2008, realizado pela Fiesp em São Paulo. "Podemos passar por um período de sacrifícios."
Apesar dos esforços para evitar uma alta dos preços acima do normal, Coutinho lembrou que essa alta é transitória. "Ela vem de fora, puxada principalmente pelas commodities e pelos alimentos", afirmou ele, lembrando que uma inflação baixa é o "cimento" do bom andamento macroeconômico do país.
Tirando a questão da inflação, Coutinho disse que o momento para investimento no país é positivo. Citou como exemplos disso a estabilidade dos fundamentos macroeconômicos, a expansão do crédito, a elevação do emprego e da renda formal, os investimentos do setor privado e a recente obtenção do grau de investimento pelo país.
Na ata da reunião do Copom, divulgada hoje, o Banco Central indicou que deve voltar a aumentar a taxa básica de juros do país nos próximos meses para evitar uma alta generalizada da inflação.
O Copom avalia que o risco de um cenário inflacionário "menos benigno segue elevado". Ou seja, ainda há riscos de que a inflação não termine o ano no centro da meta, de 4,5%.
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