Brasil entra em círculo virtuoso após medidas duras, diz Meirelles
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, em cerimônia na BM&F Bovespa, em São Paulo, que o Brasil entra em um círculo virtuoso após a adoção de medidas duras, mas necessárias. Meirelles comemorou a expansão do mercado de capitais no país e creditou o desempenho à estabilidade econômica.
"Nos últimos anos, a consolidação da estabilidade da economia brasileira deu maior previsibilidade, que está levando ao alongamento dos horizontes de planejamento, em conseqüência, as taxas de retorno passam a ser menores, temos amplo investimento e maior crescimento do produto, do emprego e da renda, e, em conseqüência, maiores possibilidade de crescimento do mercado de capitais. O Brasil entra em um círculo virtuoso, depois de medidas duras, porém absolutamente necessárias para o crescimento do país", afirmou.
Para Meirelles, que participou de evento em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por conta da obtenção do grau de investimento do país, a expansão do mercado de capitais é produto da estabilidade econômica e do crescimento.
| Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem |
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| Presidente Lula visitou a BM&F Bovespa e foi homenageado pelo grau de investimento |
"O mercado de capitais é produto da estabilidade econômica e do crescimento. Não pode ter crescimento do mercado sem país estável", disse.
Para o presidente do BC, o país ganha respeito no cenário internacional. "É um momento importante, em que o Brasil hoje de fato tem respeitabilidade internacional, não só pelo investment grade, mas pelo reconhecimento das agências, analistas, autoridades e imprensa", afirmou Meirelles.
Ele citou recente artigo publicado no jornal "Le Monde", que diz que o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, deveria inspirar-se na política monetária brasileira.
No início do mês, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) aumentou a taxa básica de juros de 11,75% para 12,25% ao ano. Na ata da reunião, os diretores do BC dizem que continuarão aumentando os juros "enquanto for necessário". Segundo o jornal francês, a "política de juros altos saneou a economia brasileira".
Expectativas
A pesquisa semanal do Banco Central, conhecida como relatório Focus e divulgada nesta segunda-feira, mostra que os analistas esperam que a taxa básica de juros termine 2008 em 14,25%, ante previsão de 14% ao ano feita na semana passada. Para o final de 2009, a previsão de que a Selic estaria em 12,50% subiu para 12,75%.
O mercado espera um aumento para 12,75% na reunião do Copom do final de julho; para 13,25% na reunião no início de setembro; 13,75% em outubro; e para 14,25% em dezembro (o Copom se reúne a cada 45 dias aproximadamente).
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