BC deve manter ritmo de alta dos juros até o fim do ano, estima Febraban
YGOR SALLES
da Folha Online
A taxa básica de juros, a Selic, deve ter uma alta de mais 2 pontos percentuais até o final do ano, passando dos atuais 12,25% para 14,25%, subindo meio ponto em cada uma das próximas quatro reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central). A estimativa é da Pesquisa Febraban de Projeções e Expectativas de mercado, divulgada nesta terça-feira pela Federação Brasileira de Bancos.
Segundo o economista chefe da entidade, Nicola Tingas, esse aumento gradual servirá para evitar a diminuição da taxa de investimento das empresas até o final do ano. "O governo está perseguindo a manutenção desses investimentos, por isso há um trabalho gradual do BC ao invés de dar um impacto [aumento radical da taxa]", afirmou.
O motivo das altas, segundo os bancos, é a perspectiva pouco otimista para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), taxa oficial de inflação.
Na pesquisa realizada em abril, a projeção média do IPCA era de 4,75% ao ano, e agora espera-se que o índice fique em 5,76%, próximo de atingir a margem de segurança para a meta de inflação, que é de 4,5% com dois pontos de tolerância para cima ou para baixo.
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,58%, acima dos 5,04% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores. No ano, a inflação acumula alta de 2,88%, ante 1,79% no mesmo período do ano passado.
Segundo Tingas, nenhum banco espera, por enquanto, que esta meta seja furada. "O problema, no caso, é com o choque de custos, e não tanto com as questões de demanda", afirmou.
Um exemplo de como esse choque de custos é importante na análise da Febraban é que o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), calculado pela FGV e cujo foco é o atacado, a previsão para 2008 é de 9,13%.
Ainda de acordo com Tingas, as questões externas também preocupam, principalmente a inflação global e o risco de desaceleração econômica na China. "O trabalho, agora, é monitorar isso."
PIB
Excluindo os problemas com inflação, a pesquisa mostra que a aposta sobre outros indicadores estão mais favoráveis agora que na sondagem anterior.
A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) para 2008 passou de 4,66% para 4,78% --no primeiro trimestre, o crescimento foi de 5,8% sobre o mesmo período do ano passado. A do risco-país foi de 210,31 pontos para 177,82 pontos.
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