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Dinheiro
17/06/2008 - 14h17

Impacto dos alimentos no consumo prejudica indústria, diz Fiesp

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A indústria também já acusa o golpe da alta dos preços dos alimentos e seus impactos no consumo. Segundo o gerente do departamento de economia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), André Ribeiro, a forte desaceleração do nível de emprego na indústria paulista em maio é um indicativo de que o consumidor está gastando mais com alimentos e menos com produtos industriais.

"A demanda está perdendo força por conta da alta dos preços dos alimentos. O consumidor está comprando menos produtos industriais porque está gastando mais com alimentos", explicou Ribeiro, em relação à desaceleração da indústria.

A Fiesp divulgou nesta terça-feira que o nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo subiu 0,35% (8 mil vagas criadas) em maio na comparação com o mês anterior, segundo dados sem ajuste sazonal. Em abril, a alta sobre março tinha sido de 2,75%, com abertura de 62 mil vagas.

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Segundo pesquisa do IBGE, a inflação já faz consumidor buscar alimentos mais baratos
Segundo pesquisa do IBGE, a inflação já faz consumidor buscar alimentos mais baratos

Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada período, a alta no emprego no mês passado foi de 0,06% (ante alta de 1% em abril). Segundo Paulo Francini, diretor do departamento de pesquisas econômicas da Fiesp, o índice desazonalizado é o menor desde o início deste ano e a primeira "batida" no zero desde dezembro de 2007, período em que tradicionalmente as contratações desaceleram.

"Notávamos acomodação da indústria em relação a outros indicadores. O INA já apontava isso, que parte do ímpeto estava se perdendo. Não era dramático porque a variação ainda era positiva. (...) O preocupante agora é que a taxa de crescimento passou a ser não-crescimento", disse Francini.

Segundo ele, os reflexos do aumento da taxa de juros (já foram duas altas desde abril deste ano) para 12,25% e da valorização na taxa de câmbio (sob as influências da conquista do grau de investimento pelo Brasil) ainda não foram contabilizados pelo emprego industrial. Francini já manifestou, no entanto, suas preocupações quanto às conseqüências disso no futuro.

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Em reunião com ministros, presidente Lula voltou a dizer que inflação está sob controle
Em reunião com ministros, presidente Lula voltou a dizer que inflação está sob controle

"Quem imagina que política econômica é ciência e que existe um botão de ajuste fino, não existe. E como não existe, há como exagerar na medida do botão. Os aumentos da taxa Selic nas duas últimas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central] vão aprofundar a acomodação/desaceleração da indústria", avaliou.

Inflação

Francini disse não saber, no entanto, com que intensidade a indústria deverá reagir às medidas utilizadas pelo governo para controlar a inflação. Segundo ele, a combinação dos dois aumentos da Selic, da elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), da inflação de alimentos e do grau de investimento dificulta uma previsão, mas indica que o impacto já pode ser mais negativo para o próximo mês.

"Há muitas variáveis atuando juntas. Não dá para saber dos efeitos já em curso. (...) Mas há possibilidade de que no próximo mês o emprego já tenha variação negativa. O difícil é saber se é início de uma tendência. Os fatores apontam para estabilidade", disse Francini.

A estimativa da Fiesp para a expansão do emprego na indústria em São Paulo é de 3,5% neste ano. No acumulado de janeiro a maio, porém, a alta é de 4,79%. "Já estávamos prevendo crescimento menor daqui até o final do ano. O mês de maio confirma isso, mas não dá indicação da intensidade. Vamos ter de esperar [no caso de alguma revisão da projeção]", disse Ribeiro.

"Medidas em excesso podem trazer a economia para rota de declínio. São riscos inerentes ao conjunto de medidas [do BC]. Já havia sinais de acomodação/desaceleração da indústria, que não foram considerados pelo Copom. Temos meses a frente para nos dizerem o que vai acontecer. Há sinal de alerta, mas não há certeza para dizer que estamos entrando em período de declínio da economia", afirmou Francini.

Comércio

Segundo divulgou o o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira, as vendas do comércio varejista do país cresceram 0,2% em abril, na comparação com o mês anterior. Em relação a abril de 2007, houve expansão de 8,7%. Segundo o IBGE, "os resultados expressam certa estabilidade no ritmo de vendas em relação a março".

O resultado no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007, revela alta de 11%. Nos últimos 12 meses terminados em abril, a expansão das vendas do comércio é de 10,3%. A receita nominal das vendas do comércio em abril aumentou 0,6%, na comparação com março. Em relação a período correspondente em 2007, a alta foi de 13,8%.

Comentários dos leitores
Alziro Ribeiro da Silva (39) 26/11/2009 16h10
Alziro Ribeiro da Silva (39) 26/11/2009 16h10
Hoje é o desejo da maioria dos BRASILEIROS ter um carrinho na garagem, só que este desejo está ficando caro e muitos não aguentam o rojão e com isso fiacam com o nome sujo e se complicam tudo. sem opinião
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Ibraim J. Riston (1) 26/11/2009 13h11
Ibraim J. Riston (1) 26/11/2009 13h11
É incrível como a popularidade de Lula se mantém com tamanha carga Tributária, IPVA, multa, taxas, pedágios etc... E ainda por cima o descompromisso para com projetos como o GNV. Hoje o preço do gas natural para veículos jogou por terra todo o investimento. Toda a indústria de peças e equipamentos e a rede de serviços desenvolvida em torno do GNV, de repente se vê orfã. Gente que fez plano de vida em torno disso vendo seus planos, que foram baseados em premissas apresentadas pelo governo, dando com os burros n'agua! O álcool que à época era caro pela irresponsabilidade do mesmo governo, hoje embora o custo elevado, ainda é mais em conta que o GNV. E os consumidores que acreditaram e transformaram seus carros para este combustível estão aí se fu... porque o governo não está nem aí para isso. Apenas o baixo custo do GNV justificava todo o transtorno da transformação que vai desde o peso e tamanho do equipamento até a menor performance do motor convertido e a obrigatoriedade da Inspeção Veicular cuja taxa antes R$80,00 hoje é de R$110,00 e se retirar, pasme! R$160,00. Também tem a validade de 5 anos para o cilindro cujo teste para revalidação antes era feito por R$80,00 e hoje!! R$250,00, sem falar em toda a burocracia que se enfrenta, e que é muito maior se você resolver retirar essa arapuca!
Já deu pra perceber o porque deste meu "estado de espírito", eu retirei o equipamento do meu carro e descobri isso tudo há 7 dias do prazo final!
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Saulo Mundim Lenza (624) 26/11/2009 10h43
Saulo Mundim Lenza (624) 26/11/2009 10h43
Discordo.
Quem mata mais são os maus condutores dos automóveis.
São pessoas despreparadas, sem nenhuma condição de conduzir um veiculo.
O carro não tem culpa nenhuma, pois, é uma máquina.
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Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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