Senadores dos EUA querem barrar venda da fabricante da Budweiser à InBev
da Folha Online
A venda da fabricante americana de cerveja Anheuser-Busch (AB, dona da marca Budweiser) à belgo-brasileira InBev, deve enfrentar a oposição de senadores americanos, a julgar pela reação de senadores americanos nesta terça-feira.
"Eu disse que sou veementemente contra essa venda" disse a senadora democrata Claire McCaskill, do Estado do Missouri (onde fica a sede da cervejaria), após encontro com o executivo-chefe da InBev, Carlos Brito. Ela acrescentou que fará tudo em seu poder para impedir o negócio.
Ela disse que se preocupa com os planos de pensão dos funcionários da Anheuser-Busch e com os cortes de empregos que podem eventualmente ocorrer. "É uma má idéia. Eu não quero que [a InBev] a compre. O povo de Missouri não quer que a compre", afirmou a senadora, segundo o diário americano "St. Louis Business Journal".
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| Americanos protestam na internet contra venda de dona da Budweiser à InBev |
Ela disse esperar que a AB "veja o que esse negócio significa para a empresa e a cultura" americana e rejeite a oferta, e que irá enviar uma carta à diretoria da AB pedindo que não aceitem o negócio. A senadora, no entanto, reconheceu ter pouco poder para impedir que o negócio prossiga.
Amanhã, o senador --também pelo Estado de Missouri-- Kit Bond deve se encontrar com Brito. Em um comunicado, o senador disse que a venda da Anheuser-Busch "é uma má idéia, é amplamente contrária ao que quer a comunidade e vou manifestar forte oposição".
Em uma carta enviada no último dia 12 à FTC (Câmara Federal de Comércio, na sigla em inglês), Bond pediu uma análise da proposta feita pela InBev. Na carta ele diz que o negócio "levanta questões antitruste ao colocar uma parte significativa do mercado nas mãos de poucos competidores". "Os serviços prestados [pela Anheuser-Busch] ao [Estado do] Missouri não são limitados aos milhares de empregados ou às inúmeras empresas suas fornecedoras, mas também como uma força de ações cívicas e de caridade à comunidade."
O governador do Estado do Missouri, o republicano Matt Blunt, também pediu à FTC uma revisão da proposta.
Brito disse que as duas empresas farão uma boa combinação e que a InBev não tem tradição de cortar empregos após aquisições. Ele não fez comentários sobre se a empresa fará uma oferta hostil à Anheuser-Busch, acrescentando que não há uma data limite para que a diretoria da companhia americana decida sobre o negócio.
Ele disse ainda que o preço oferecido à AB --US$ 65 por ação, em uma operação estimada em cerca de US$ 46 bilhões-- é justo. "É um preço justo, é um preço cheio e é isso", disse.
Grupo Modelo
A InBev reiterou neste domingo (15) sua oferta à Anheuser-Busch depois das notícias de que a empresa sondou o mexicano Grupo Modelo (que fabrica a cerveja Corona) buscando uma aproximação.
Na semana passada o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ") informou que a Anheuser-Busch entrou em negociações preliminares com o Grupo Modelo sobre uma eventual união das duas empresas, como forma de fazer oposição à oferta não-solicitada feita pela InBev.
A AB já possui uma participação de quase 50% no Grupo Modelo. Caso adquira o restante da empresa, a AB se tornaria cara demais para ser comprada pela InBev, diz o diário americano.
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