Inflação no varejo se espalha além de alimentos, aponta Fecomercio
da Folha Online
Os preços no comércio em maio aceleraram 1,46% em relação a abril, a maior variação desde o início da série em dezembro de 2004, segundo informou a Fecomercio nesta terça-feira. Dos 21 grupos analisados, apenas três registraram queda da inflação, conforme o IPV (Índice de Preços no Varejo).
Segundo a Fecomercio, a pesquisa em maio mostra que a alta de preços começou a se espalhar entre vários segmentos e produtos no mês passado. Os segmentos de Eletroeletrônicos, Autopeças e Acessórios e Eletrodomésticos foram aos únicos a apresentar queda de preços, de 1,65%, 0,48% e 0,47%, respectivamente.
Até o primeiro trimestre do ano, conforme a Fecomercio, o cálculo do núcleo do IPV mostrava que a pressão inflacionária estava restrita aos produtos alimentícios. Com a exclusão de alimentos, o IPV caia 0,02% no primeiro trimestre, enquanto, com o grupo, a alta era de 0,24%. "A partir de abril, houve inversão nesta tendência. No acumulado até maio, o IPV, excluindo alimentos, acumulou alta de 1,19%", informou a Fecomercio.
Segundo a entidade, o movimento aponta que o comércio passou a sofrer a elevação de preços de outras matérias-primas --como do petróleo e do aço--, além da pressão dos alimentos. "Portanto, a tendência é de que nos próximos meses, o IPV siga em elevação", avaliou a entidade.
No ano, o índice acumula alta de 2,21%. Em relação a maio de 2007, a variação é de 4,92%.
Setores.
O setor de Supermercados registrou a maior alta já verificada para a atividade desde o início da série histórica em dezembro de 2004, de 2,48%. Foi a segunda elevação consecutiva após um período de dois meses de quedas tímidas. No ano, o grupo acumula avanço de 3,12%.
"Tal performance reflete a elevação na demanda internacional por alimentos que eleva o preço das commodities e gera impactos também para os preços internamente. É importante considerar ainda que, no âmbito doméstico, os efeitos das instabilidades climáticas prejudicam o desempenho de algumas safras e pressionam ainda mais os preços", anotou a Fecomercio. Entre as principais elevações de preços, estão legumes (17,25%), cereais (10,72%), tubérculos (8,86%), aves (7,35%), verduras (5,65%) e panificados (5,42%).
Já a atividade Açougues encerrou maio com inflação de 3,72% (no ano, a alta é de 0,40%). As principais variações foram em: carnes bovinas (3,96%), aves (3,01%) e carnes suínas (2,08%).
Conforme a entidade, o desempenho reflete a elevação dos preços do milho e da soja e o fim da restrição à importação de uma parcela das carnes brasileiras no mercado externo. "Com isso, parte da produção passa a ser novamente destinada às exportações e os preços internos são levemente pressionados."
Outro grupo também influenciado pela alta internacional dos preços das matérias primas, Feiras registrou variação de 3,29% em maio. Nos primeiros cinco meses, o grupo acumula alta de 7,71%.
Ainda que tenha registrado inflação de 1,77% em maio ante abril (a sétima alta consecutiva), o setor de Padarias já demonstra sinais de arrefecimento, na avaliação da Fecomercio. "Isso reflete a normalização das importações de trigo da Argentina, ainda que em fase preliminar, e a decisão brasileira de até o fim do ano zerar as alíquotas de impostos que incidem sobre o produto." No ano, a variação, contundo, ainda é elevada: 8,92%.
Entre os grupos pesquisados para a composição do IPV, o de Materiais de Construção apurou a maior alta de preços em maio, de 3,90%, a décima primeira elevação consecutiva do índice da atividade. Entre janeiro e maio, a alta é de 6,97%. "O desempenho reflete o aquecimento do mercado imobiliário e a expansão do crédito", informou a Fecomercio.
A inflação entre maio e abril na atividade de Vestuário, Tecidos e Calçados foi de 1,53% --a quarta alta consecutiva do segmento-- e no ano, 1,40%.
Na atividade Veículos, a inflação foi de 0,48% no mês e de 0,88% no acumulado deste ano e em Drogarias e Perfumarias, o incremento foi de 0,80% (4,38% de janeiro a maio). Também apresentaram variação positiva Móveis e Decorações (0,40%), Floriculturas (7,09%), CDs (1,26%), Brinquedos (1,01%) e Combustíveis e Lubrificantes (0,07%).
Na contramão, Eletroeletrônicos mantém trajetória de queda (sétimo consecutivo), influenciada pela desvalorização do dólar, segundo a Fecomercio. No ano, o grupo acumula retração de 6,35%. O grupo Eletrodomésticos acumula nos primeiros cinco meses recuo de 0,23%. Já o desempenho de Autopeças e Acessórios (queda de 0,57%) reflete o aquecimento do mercado de veículos novos, que freia a necessidade de reparos e aquisição de peças, segundo a entidade.
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