Crise imobiliária e preços da energia devem elevar demissões nos EUA, diz pesquisa
da Folha Online
Quase um terço dos executivos das principais empresas dos EUA deverão cortar empregos no país nos próximos meses, devido aos efeitos sobre a economia da crise imobiliária e aos preços altos da energia, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Business Roundtable --grupo formado por executivos das 160 maiores companhias americanas.
Apesar do pessimismo quanto à situação do mercado de trabalho, para os próximos seis meses os executivos esperam que as vendas e os investimentos se mantenham no atual patamar ou subam um pouco. O índice de perspectivas econômicas do grupo recuou para 74,5 no segundo trimestre deste ano, contra 79,5% no primeiro.
Dos 110 executivos entrevistados, 68% disseram esperar que as vendas cresçam em seis meses, enquanto 9% disseram que as vendas podem cair. Já para o mercado de trabalho, 31% disseram que deverão reduzir os postos de trabalho no período, enquanto 28% disseram que haverá mais contratações. Na pesquisa anterior, de abril, 22% dos executivos entrevistados previam cortar empregos nos seis meses adiante.
"Os resultados deste trimestre refletem as correntes mais amplas em funcionamento nos EUA", disse o presidente do Business Roundtable, Harold McGraw 3º. "Nossos membros claramente moderaram suas expectativas gerais contra um pano de fundo de contínuo declínio no mercado imobiliário e aumento dos preços da energia. Dito isso, os executivos permanecem cautelosamente otimistas sobre suas projeções de vendas e gastos."
No mês passado, a economia americana fechou 49 mil postos de trabalho em maio, enquanto a taxa de desemprego teve a maior variação em um mês desde 1986, chegando a 5,5%. A crise imobiliária, que se desdobrou em uma crise no mercado de hipotecas de risco e no mercado de crédito de modo geral, pesa sobre a economia --os EUA cresceram apenas 0,9% no primeiro trimestre deste ano.
Já a inflação vem aumentando a pressão: ontem, o Departamento do Trabalho informou que os preços no atacado subiram 1,4% em maio, contra 0,2% em abril; os preços da gasolina subiram mais de 9% no atacado em maio e, para o consumidor, o preço médio do galão (3,785 litros) no país já passa de US$ 4.
Os empresários que prevêem um aumento de investimentos chegaram a 33% do total, contra 15% que não planejam investir. Mais da metade (52%), no entanto, espera que o nível de investimentos permaneça no atual patamar.
A Business Roundtable reúne executivos de empresas --entre elas estão gigantes como American Express, AIG, Boeing, Chevron, Citigroup, Du Pont, FedEx, GM e IBM-- que, no total, empregam mais de 10 milhões de pessoas e geram uma receita anual combinada de cerca de US$ 4,5 trilhões. A pesquisa foi realizada entre 22 de maio e 9 deste mês.
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