Inflação dos IGPs tende a desacelerar, aponta FGV
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A inflação medida pelo IGP (Índice Geral de Preços) está chegando ao pico, e deve desacelerar daqui para frente, ainda que se mantenha em patamares mais altos do que no passado recente. A conclusão é do economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salomão Quadros, responsável pelo IGP-10 (Índice Geral de Preços-10), que subiu 1,96% em junho, a maior alta desde fevereiro de 2003, quando o índice teve elevação de 2,42%.
Para Quadros, a alta de alguns produtos, como minério de ferro, arroz e derivados de grãos, ao longo dos últimos meses, está perdendo força, e a desaceleração desses itens terá impacto maior do que a elevação de outros.
"Tenho impressão que estamos chegando em um momento de pico nos IGPs. Tem várias pressões que não devem se repetir. Não é que não venham outras. Mas de um modo geral, o impacto maior será de produtos que vão desacelerar", afirmou.
A metodologia aplicada na apuração do IGP-10 é a mesma do IGP-M e do IGP-DI --usados no reajuste, por exemplo, de contratos de aluguel--, também apurados pela FGV, com a única diferença de ter um período de coleta diferente. O IGP-10 é calculado com base nos preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.
O resultado do IGP-10 de junho teve influência das três áreas pesquisadas (preços no atacado, ao consumidor e para a construção civil). No atacado, a alta de 2,21% voltou a ter influência dos produtos in natura. Depois de caírem 6,10% em maio, tiveram elevação de 8,03% em junho.
O destaque foi o feijão, que subiu 20,95%, depois de queda de 9,89% em maio. No ano, o feijão acumula queda de 3,74%, mas nos últimos 12 meses, tem alta de 145%. Quadros disse que a tendência é que o preço do feijão continue subindo. O economista explicou que a demanda está pressionando a oferta, que, no momento, é insuficiente. Os ovos subiram 12,33%, após queda de 10,13% no mês passado.
Outra alta que pressionou os preços no atacado foi de bens intermediários, que subiu 1,11%, influenciada por veículos pesados (2,56%), máquinas e equipamentos (0,83%) e escavadeiras (1,40%). Salomão Quadros destacou que a demanda por investimentos é bastante alta, e está se refletindo nos preços desses itens.
"Os investimentos são generalizados, mas há problemas de oferta de máquinas e de componentes de equipamentos", observou.
Para o consumidor, cuja inflação teve alta de 0,93% -- ante 0,67% em maio -- houve influência de produtos in natura, como a cenoura (23,67%), batata-inglesa (18,63%) e tomate (11,09%). O arroz subiu 18,27%, e a carne bovina registrou elevação de 5,14%.
Os preços medidos pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) aumentaram 2,66%, após alta de 0,85% em maio. É a maior elevação desde junho de 2003, quando o índice havia crescido 3,20%. O custo de mão-de-obra, com alta de 3,69%, teve influência decisiva nesse resultado, devido a reajustes salariais em Fortaleza, Brasília, Goiânia, Florianópolis e São Paulo.
Houve também pressão dos custos de serviços, com elevação de 1,40%, e de materiais, que subiram 1,76%. Quadros ressaltou que o aumento de alguns insumos utilizados pela construção está chegando ao consumidor.
"Há uma mistura de pressão dos custos com a demanda aquecida. O pico foi pelos reajustes salariais, mas os custos dos materiais ajudam a impactar o índice", comentou.
Leia mais
- Coutinho vê espaço para queda maior da Selic após controle da inflação
- Inflação no varejo se espalha além de alimentos, aponta Fecomercio
- Em reunião com ministros, Lula reitera que inflação está sob controle
- Inflação anula rendimento e poupança perde poder aquisitivo em maio
- Inflação já faz consumidor buscar alimentos mais baratos, indica IBGE
- Paulo Bernardo diz que mercado financeiro "sempre erra" previsão de inflação
- Entenda a diferença entre os principais índices de inflação
Livraria da Folha
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
- Livro ensina famílias a organizar o orçamento da casa
Especial


