Geração de empregos formais bate recorde e ultrapassa 1 milhão no ano
ANA CAROLINA OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online, em Brasília
Atualizada às 12h00
A geração de empregos formais passou a marca de 1 milhão em 2008 e bateu recorde para o período, com a criação de 202.984 novas vagas em maio, informou hoje o Ministério do Trabalho. O resultado, porém, é cerca de 4% menor que o registrado em maio do ano passado (212.217), segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Nos cinco primeiros meses de 2008, foram gerados 1.051.946 novos postos de trabalho, número 15,11% maior que o registrado nos cinco primeiros meses de 2007 (913.836 postos). No total, o estoque de trabalhadores com carteira assinada somava 30.018.136 no mês passado.
A queda verificada em maio, segundo o ministério, ocorreu por causa do Estado de Alagoas, que antecipou a safra de cana e eliminou mais de 7.000 vagas. "Essa diferença entre um mês e outro se deve ao processo de Alagoas, pela questão sucroalcooleira", afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Até o final do ano, Lupi afirmou esperar que o emprego formal gere 1,8 milhão de vagas. "Acho que esse ritmo vai se manter e continuo apostando na geração de mais de 1,8 milhão de vagas com carteira assinada em 2008."
O setor da economia que mais gerou vagas em maio foi o de serviços, com a criação de 55.361 novos postos. Em seguida vêm a agropecuária, com 47.107, e indústria de transformação, com 36.701 postos. Comércio gerou 29.921, e a construção civil, por sua vez, gerou 28.670 postos.
Nos últimos 12 meses até maio, foram gerados 1.755.502 empregos formais, acima do verificado no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.374.179 vagas. Entre 2003 e 2008, foram criados 7.320.714 empregos formais.
As cinco regiões do Brasil apresentaram alta na geração de empregos no mês de maio. O Sudeste foi a que apresentou o maior saldo: 140.901 postos (alta de 0,96% sobre maio de 2007). O Sul ficou em segundo lugar, com 23.208 postos com carteira assinada (+0,42%), seguido pelo Nordeste (19.117 postos ou +0,46%), Centro-Oeste (13.462 postos, alta de 0,63%) e Norte (6.286 postos ou alta de 0,51%).
Por Estado, São Paulo liderou a geração de empregos formais, com 75.734 postos gerados, seguido por Minas Gerais (37.968) e Paraná (16.739). Na outra ponta está Alagoas, único Estado com fechamento de 7.645 vagas, queda de 3,44%.
Inflação e juros
Sobre a alta da inflação, Lupi reconheceu que gera efeito negativo sobre os assalariados, mas que mais pessoas com emprego formal também contribuem para colocar dinheiro em circulação.
"Uma pequena variação é resultado de um mercado aquecido. A inflação é preocupante quando ela tem aumento constante. Você tem que medir o efeito disso no mercado. Mas o percentual atual não influi na geração de empregos."
Sobre a alta dos juros, Lupi ponderou que a elevação "sempre prejudica", mas que há dois lados que a área econômica do governo tem que analisar. "O dinheiro mais caro faz com que os produtos fiquem mais caros, e as empresas repassam o aumento para o consumidor. Agora, o dinheiro circulando desenfreado é preocupante."
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