Galvani será primeira empresa privada a produzir urânio do Brasil
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A mineradora Galvani será a primeira empresa privada a produzir urânio no Brasil. A empresa ganhou licitação para se associar à INB (Indústrias Nucleares do Brasil) para atuar na mina de Santa Quitéria, no Ceará. O investimento de US$ 377 milhões permitirá a produção de 240 mil toneladas de fosfato (usado na produção de fertilizantes) e 1.500 toneladas de urânio por ano, a partir de 2014. A Galvani bancará todo o investimento.
Além da Galvani, estavam na disputa a Vale e a Bunge. A parceria com o setor privado faz parte da estratégia da estatal para garantir o abastecimento das usinas de Angra 1, 2 e 3.
O presidente da INB, Alfredo Tranjan Filho, sinalizou que a associação com o setor privado será mantida nos projetos futuros de exploração de urânio. Há perspectivas de exploração nas minas de Pitinga (AM) e Rio Cristalino (PA). Ambas têm reservas de urânio estimadas em 150 mil toneladas, sendo que em Pitinga há outros materiais associados. Tranjan garantiu que a parceria com o setor privado não tira da INB os direitos sobre a comercialização de urânio.
'O interesse é ter esse mineral energético estratégico sob controle da União e com participação privada minoritária. Não é preciso quebrar o monopólio para que se tenha parceiros', afirmou.
Atualmente, a INB produz 400 toneladas/ano de urânio na mina de Caetité (BA), que são destinados para as usinas de Angra 1 [cujo consumo é de 170 toneladas a cada 14 meses] e Angra 2 [consumo de 270 toneladas em 14 meses]. A INB tem planos de dobrar a produção em Caetité.
Com isso, somada a produção de Santa Quitéria, o país terá produção de 2.300 toneladas/ano de urânio em 2015. O volume será suficiente para atender à entrada de Angra 3 -- cujo consumo será semelhante ao de Angra 2 --e das novas usinas nucleares previstas pelo governo. Além de Angra 3, está prevista a entrada de quatro a oito unidades até 2030. Caso haja excedente, o governo pode optar pela exportação ou pela manutenção de reservas estratégicas, explicou Tranjan.
Os planos de ampliar a atuação brasileira na cadeia do urânio não se restringem apenas à parte produtiva. Tranjan disse que o país pretende iniciar, a partir de 2015, o enriquecimento e a reconversão de urânio, que atualmente, é feita no exterior. Para isso, serão necessários de US$ 700 milhões a US$ 800 milhões, que incluem a aquisição de tecnologia para o enriquecimento do urânio e a constrição de uma usina de reconversão, após a etapa de enriquecimento.
Tranjan destacou ainda que a produção de fosfato na mina de Santa Quitéria vai atender a 7% das necessidades anuais do Brasil. Atualmente, o Brasil importa quase todo o consumo de fertilizantes, sendo que 52% do que é comprado lá fora é produzido a partir do fosfato. O governo tem planos de incrementar a produção de fertilizantes no país, para aliviar a pressão dos custos sobre a produção de alimentos.
Atualmente, o país, que tem 30% do território explorado, possui 309 mil toneladas de urânio confirmadas, além de estimativas de 150 mil toneladas em outras jazidas. O INB afirma, porém, que existem indícios de mais 800 mil toneladas.
Leia mais
- Governo estuda autorizar grupos privados a explorarem urânio
- Fontes renováveis aumentam participação na matriz energética em 2007
Livraria da Folha
- Saiba onde conseguir dinheiro para investir na sua empresa
- Livros ajudam executivos a expandir negócios e melhorar qualidade de vida
- Manual ensina como aliar os negócios às questões ambientais
Especial

