Consumidores de energia vão pedir maior oferta de petróleo à Opep
WANDA RUDICH
da Efe, em Viena
Os mercados de petróleo voltarão seus olhares neste final de semana para a cidade saudita de Jidda, onde acontecerá uma reunião na qual os principais consumidores de energia pedirão uma maior oferta de petróleo à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Já os produtores insistirão em medidas para frear a especulação financeira.
O fato inédito no encontro, convocado com urgência por Riad (capital saudita) após o exorbitante aumento de preço do petróleo, é que a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, não instou apenas os produtores para tratar do tema, mas também os responsáveis pelo maior consumo energético e os grandes consórcios de petróleos e de bancos.
Segundo fontes oficiais, é esperada a participação de 35 países, representados em sua maioria pelos ministros de Energia, por 25 companhias petrolíferas e por sete organizações.
A reunião em Jidda acontece logo após o preço do petróleo duplicar em um ano, e milhares de transportadoras, agricultores e outros trabalhadores dos setores mais afetados saírem às ruas em dezenas de países para protestarem contra a carência de combustíveis.
O tema entrou na campanha eleitoral dos EUA, de longe o maior consumidor mundial de petróleo. Já a China, segundo grande consumidor, procura uma forma de evitar problemas de abastecimento de gasolina durante os Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.
Entre os participantes, destacam-se o vice-presidente da China, Xi Jinping, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, o secretário-geral da Opep, Abdalla Salem El-Badri, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka e o comissário de Energia da UE, Andris Piebalgs.
Pela primeira vez em reuniões para discussão do petróleo, o Brasil irá participar na condição de produtor, e não apenas como consumidor. Os representantes brasileiros no encontro serão o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O ministro, inclusive, já está a caminho da Arábia Saudita.
Há uma grande cautela quanto aos reflexos que serão produzidos nos mercados por esta cúpula, já que não são divisados consensos para adotar medidas concretas.
O presidente da Opep, Chakib Khelil, já classificou os pedidos dos países consumidores para que a Opep aumente sua cota de produção de "ilógicos ou irracionais", segundo entrevista à agência de notícias APS, da Argélia publicada nesta sexta-feira.
Ehsan Ul-Haq, analista da empresa de consultoria especializada JBC Energy, disse, em Viena, que a expectativa foi reduzida pelo fato de a Arábia Saudita já ter anunciado que pretende aumentar sua produção no próximo mês, após tê-la aumentado também em junho.
Novo campo
Algumas fontes sugeriram que talvez haja o anúncio de um grande aumento, mas os observadores não se mostram muitos confiantes, já que restam dúvidas sobre quando o novo campo petrolífero saudita de Khursaniyah entrará em funcionamento.
Também não é esperado que os sócios de Riad na Opep abram suas torneiras: a maioria não tem capacidade excedente para bombear barris adicionais e, além disso, vários deles expressaram seu desacordo com o aumento unilateral da oferta saudita.
Segundo fontes ligadas à organização que falaram à Efe, o ministro de Petróleo venezuelano, Rafael Ramírez, assim como seus colegas do Equador, Galo Chiriboga, e do Iraque, Hussein al Chehrestani, não irão à reunião em Jidda.
A Venezuela, da mesma forma que Argélia, Líbia e Catar, reiterou sua oposição quanto a mudar a oferta da Opep antes da conferência convocada pela organização para 9 de setembro em Viena.
Rejeição
O Irã expressou esta semana sua rejeição à medida anunciada por Riad e, da mesma forma que a maioria dos produtores, atribui o encarecimento do petróleo a fatores como o enfraquecimento do dólar, a especulação financeira nos mercados de futuros e os tributos fiscais sobre o petróleo e seus derivados.
A China, cujo vigoroso crescimento econômico é visto como um dos principais fatores do aumento dos preços, anunciou que apresentará "um novo conceito de energia" e, embora não tenha revelado do que se trata, os analistas esperam que o gigante asiático se sente à mesa dizendo que fez o dever de casa.
Às vésperas do encontro de domingo, Pequim reduziu os subsídios e aumentou o preço dos combustíveis.
A Opep atribuiu grande parte do aumento do preço à especulação financeira nos mercados de futuros e pediu medidas para regulá-las. No entanto, ninguém parece saber em que consistiriam tais medidas.
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