Dinheiro
22/06/2008 - 16h52

Reunião sobre petróleo termina sem promessa de aumento na produção

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da France Presse

Os participantes da conferência dos principais países produtores e consumidores de petróleo recomendaram neste domingo, em Jidá, medidas técnicas para tentar estabilizar o mercado petroleiro, mas não anunciaram nenhum aumento da produção de bruto.

A declaração publicada ao término desta "Conferência de Jidá sobre a Energia" se limita a recomendar uma maior transparência e uma melhor regulação dos mercados financeiros, assim como um aumento das capacidades de produção e de refino para favorecer "um funcionamento eficiente do mercado petroleiro".

Preocupado com o impacto do petróleo caro sobre a economia mundial e a longo prazo sobre a demanda de bruto, o governo saudita havia convidado em 9 de junho a Jidá os países consumidores e produtores para "conversar sobre a disparada dos preços, suas causas e os meios de enfrentá-la".

Riad queria provar aos países consumidores que o país saudita e a Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo), de uma forma geral, não são os responsáveis pela disparada dos preços do petróleo.

Porém, as divergências sobre os motivos desta explosão dos preços, que chegaram perto da marca histórica de US$ 140 o barril há alguns dias, foram reveladas à luz do dia.

Os países produtores consideram que a oferta é suficiente para atender à demanda e que a disparada atual dos preços se deve à especulação, à fraqueza do dólar e à instabilidade geopolítica em algumas regiões. Já os países consumidores, e principalmente os Estados Unidos, sustentam que o principal problema é a oferta insuficiente.

O ministro saudita do Petróleo, Ali al-Nuaimi, afirmou que o aumento da oferta mundial de bruto foi superior ao da demanda mundial entre o segundo trimestre de 2007 e o segundo trimestre de 2008.

Para mostrar sua boa vontade, Riad havia anunciado antes mesmo da conferência um aumento em 200.000 barris de sua produção diária, que já tinha aumentado em 300.000 barris em maio.

Ao abrir os debates em Jidá, o rei Abdallah confirmou que a Arábia tinha decidido aumentar sua produção para 9,7 milhões de barris por dia (mbd) a partir de julho, e garantiu que o país está "pronto para atender a qualquer demanda suplementar" dos países consumidores.

"Nos últimos meses, nossa produção passou de 9 a 9,7 milhões de barris por dia, e estamos prontos para atender a qualquer demanda suplementar", disse o monarca diante dos representantes de 36 países produtores e consumidores de petróleo, 22 companhias petroleiras e sete organizações internacionais que estavam presentes em Jidá.

Trata-se do nível de produção mais elevado para a Arábia, primeiro exportador mundial, desde o início dos anos 80.

Publicada neste domingo sob a impulsão da Arábia Saudita, da Agência Internacional da Energia (AIE), do Fórum Internacional da Energia (IEF) e da Opep, a Declaração comum se limita, portanto, a medidas técnicas.

"A existência de capacidades suplementares na cadeia de produção é importante para a estabilidade do mercado mundial do petróleo", diz o texto.

"Em conseqüência, um aumento apropriado do investimento, em todos os setores, é necessário para garantir que os mercados sejam abastecidos em tempo e de maneira adequada", acrescenta.

Resumindo, é preciso aumentar as capacidades de produção e de refino. Presente na conferência de Jidda, o ministro brasileiro da Energia, Edson Lobão, assegurou neste domingo que o mundo precisa produzir mais biocombustíveis para atender à gigantesca demanda mundial de energia, que provocou a disparada dos preços do petróleo.

"A primeira solução seria aumentar a produção (de petróleo). A segunda solução seria fazer o que o Brasil já está fazendo: produzir biocombustíveis", disse.

 

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