Dinheiro
24/06/2008 - 08h52

Alta do petróleo pode prolongar desaceleração dos EUA, diz Paulson

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da Folha Online

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta segunda-feira (23) que a alta dos preços do petróleo pode prolongar o período de desaceleração da economia americana e pediu que os países produtores se abram para investimentos.

"Essa é uma questão muito importante porque o alto preço do petróleo está criando problemas econômicos (...) e é um fardo pesado para as pessoas no mundo todo", disse Paulson ontem no México, onde está para uma conferência entre representantes das áreas econômicas e financeiras de países da América Latina. "A meu ver, há um risco bastante real de [a alta do petróleo] prolongar a desaceleração econômica."

Paulson pediu ainda aos países produtores de petróleo que se abram para investimentos e também para o desenvolvimento de de fontes alternativas de energia e novas tecnologias.

Também ontem, no entanto, o presidente da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil, disse que os preços não devem cair. "A Opep já fez o que podia e os preços não vão cair", afirmou. O secretário-geral da Opep, Abdallah el Badri, disse também que a organização não tem a intenção de aumentar a produção, "já que não existe falta ]de petróleo]".

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por sua vez, disse que discorda quanto à necessidade de um aumento da produção petroleira em resposta à alta dos preços, estimando que o mercado já está "mais do que saturado". "Tenho a sensação de que os preços do petróleo aumentam de forma artificial, há uma intenção oculta por trás de tudo isso", declarou o presidente iraniano em uma entrevista à rede de TV estatal. 'Agora o mercado está mais do que saturado e se bombeia petróleo além da demanda. O crescimento da demanda é menor que o da produção."

Ontem, o petróleo fechou em alta (de 1,02%, cotado a US$ 136,74) com as preocupações com a tensão entre Israel e Irã e os problemas de fornecimento na Nigéria superaram o otimismo dos investidores com as alegações da Arábia Saudita, de que poderia elevar sua produção.

O sindicato dos trabalhadores no setor petrolífero da Nigéria começaram uma paralisação limitada nas instalações da Chevron no país ontem. Também ontem a UE decidiu impor novas sanções contra o Irã --incluindo o congelamento de fundos do maior banco do país-- alegando que Teerã negou-se a atender a restringir seu programa nuclear.

Além disso, a reunião de domingo (22) entre produtores e consumidores da commodity na Arábia Saudita foi ofuscada. No encontro foi aconselhada a adoção de medidas técnicas para estabilizar o mercado petroleiro, mas não anunciaram nenhum aumento da produção.

Os países produtores --incluindo os que se disporiam a aumentar a oferta (Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes)-- atribuíram a disparada dos preços a fatores como especulação, crescente demanda e altos impostos sobre a matéria-prima e seus derivados nas nações industrializadas. Para a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), por sua vez, o aumento do preço do petróleo se deve, principalmente, à especulação nos mercados futuros devido à fragilidade do dólar e a uma suposta escassez.

 

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