Crédito para pessoa física desacelera e BC vê redução no endividamento
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O volume de crédito para pessoa física já registra desaceleração nos primeiros cinco meses de 2008, devido ao aumento da taxa de juros no mercado financeiro e à redução dos prazos para financiamentos.
"Você tem uma acomodação no crédito à pessoa física. O crédito pessoal cresce a 2%, o cheque especial está crescendo a uma taxa inferior a 1% e o ritmo de endividamento está se reduzindo", diz o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.
O volume de dinheiro direcionado a operações de crédito para pessoa física, na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país em um período), subiu de 11,9% para 12,4% neste ano. Já o volume de crédito total subiu mais, de 34,7% para 36,5% do PIB, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo BC.
Nesse período, as taxas de juros subiram cerca de quatro pontos percentuais, influenciadas pelo aumento dos juros no mercado financeiro e do spread bancário, a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes.
Inadimplência
Houve aumento também da inadimplência superior a 90 dias para pessoa física, que subiu 0,2 ponto percentual, para 7,3% (o pior resultado desde fevereiro de 2007). Para o BC, esse número ainda não é preocupante.
"Estamos observando pequena elevação na pessoa física, elevações muito pequenas nos últimos dois meses. Temos de observar um pouco mais para ver se essa é uma tendência que se confirma", afirmou Altamir. "Uma variação dessa natureza não é tão expressiva."
A taxa de inadimplência que mais subiu em maio foi a do cheque especial, que, por outro lado, foi a que mais caiu em 2008 (de 10,6% em dezembro para 8,9% em maio).
O BC também registrou queda nos prazos de financiamentos. No crédito pessoal, por exemplo, o prazo aumentou em 30 dias desde o final do ano passado, mas teve uma redução de seis dias em maio.
O prazo para aquisição de veículos, no entanto, continua crescendo. Chegou a 595 dias em maio (cerca de 20 meses), número recorde na pesquisa do BC, iniciada em 2000.
Empresas
Já o crédito para pessoa jurídica continua crescendo a taxa altas. Houve uma expansão de 3,3% entre abril e maio, quase 40% nos últimos 12 meses.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, muitas empresas que captaram dinheiro com o lançamento de ações no mercado estão trocando a Bolsa de Valores pelo mercado bancário.
"As empresas estão saindo um pouco do mercado de capitais e se voltando mais ao crédito junto ao sistema financeiro", diz Altamir.
O volume de crédito para pessoa jurídica corresponde hoje a 26,1% do PIB (nível recorde). No final de 2007 estava em 24,5%.
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