BC vê 25% de chances da inflação estourar teto da meta em 2008
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
As previsões divulgadas nesta quarta-feira pelo Banco Central mostram que há 25% de chances de a inflação ficar acima do teto da meta para este ano, que é de 6,5% (meta de 4,5% com dois pontos percentuais de tolerância). Há três meses, essa chance era estimada em apenas 4%.
As previsões mostram que a inflação deve ficar em 6% em 2008 e 4,7% em 2009. O BC também estima que há 25% de chances de que o IPCA (índice oficial de inflação, medido pelo IBGE) fique em 6,6% e 5,8%, respectivamente, nesses dois anos.
O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, disse hoje que a instituição irá agir, no entanto, para evitar que esse cenário se concretize.
"A economia vive no momento pressões inflacionárias severas", diz. "O BC fará o que for necessário, enquanto for necessário, para manter a inflação dentro da trajetória da meta."
Sobre as expectativas de aumentos futuros da taxa básica de juros, assunto que o BC não comenta diretamente, o diretor lembrou apenas que houve uma piora nas expectativas. "Quando se tem constantemente expectativas de inflação acima da meta, o corte de juros não é o cenário mais provável."
A taxa básica de juros subiu neste ano de 11,25% ao ano para 12,25% ao ano. A expectativa do mercado financeiro é que chegue a 14,25% no fim do ano.
Pressões
Para Mesquita, um dos fatores dentro do país que vêm contribuindo para aumentar as pressões sobre os preços é o descompasso entre a oferta e a demanda de produtos na economia brasileira.
Dados do IBGE mostram que a demanda cresceu 8,5% no primeiro trimestre deste ano, acima da expansão do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país), que foi de 5,8% no período.
"Esse descompasso tem levado a um aumento das importações e à intensificação das pressões inflacionárias. Uma moderação desse descompasso serviria para aliviar essas pressões."
Gastos do governo
Mesquita não quis comentar o aumento do Bolsa Família anunciado hoje pelo governo. Mas mostrou que as previsões do BC para os gastos do governo neste ano vão crescer.
O BC prevê um crescimento do PIB de 4,8% em 2008, abaixo dos 5,4% registrados em 2007. Já os gastos dos governos vão aumentar 4,3%, acima dos 3,1% do ano passado.
Também se prevê que o consumo vá subir 6,6%, contra 6,5% de 2007. Por outro lado, os investimentos, que ajudariam a reduzir o "descompasso" entre oferta e demanda vão crescer menos: 11,8%, ante 13,4% no ano passado.
Para Mesquita, esse ritmo de investimento está aquém do nível que se vê em outros países emergentes onde as taxas chegam a 25%.
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