Inflação e inadimplência ameaçam "taxa chinesa" do emprego na indústria
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A "taxa chinesa" de expansão do emprego na indústria da Região Metropolitana de São Paulo nos últimos 12 meses, de 14,5%, está ameaçada pelo cenário de aumento de preços e da inadimplência, segundo o coordenador técnico da equipe de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian. Para ele, o setor pode ter alcançado o pico no acumulado até maio, quando o número de ocupados recuou 0,6%.
"As condições não estão tão favoráveis para repetir a performance do ano passado. Talvez tenhamos atingido o pico. Pouco provável manter o ritmo de 14,5% de crescimento em um ano, com cenário de aumento da inflação e crescimento da inadimplência, como se publica hoje", diz Loloian.
Segundo divulgou a Fundação Seade e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) nesta quarta-feira, a indústria atingiu em maio deste ano 1,742 milhão de postos, com o fechamento de 11 mil vagas em relação a abril. O número só não foi pior, segundo Loloian, devido ao desempenho da indústria têxtil e de vestuário, que criou 66 mil vagas --atrás somente do metal-mecânico, que criou 81 mil novas ocupações.
"Março e abril foi atípico, com aumento dos vagas. Estamos ainda em taxa de expansão de 14,5%. É uma taxa chinesa de crescimento da indústria mesmo com uma pequena redução em maio. E quem segurou, foi o setor têxtil e de vestuário, que teve o maior crescimento em maio, devido ao clima e à nova estação e também aos preparativos para o verão", explicou Loloian.
Para ele, o cenário atual é de incertezas, as perspectivas não são mais tão otimistas, mas também não atingiram nível catastrófico. Ele pondera que, se por um lado existem dados recentes que indicam o enfraquecimento da inflação no Brasil, as matérias-primas continuam em elevação no mercado internacional (como o petróleo, que mesmo em queda hoje, a US$ 132,56, mantém patamar elevado e desempenho instável).
Ele destaca, porém, que a indústria mantém os investimentos em ampliação da produção. Segundo as últimas informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no primeiro trimestre deste ano, o investimento --medido pela chamada formação bruta de capital fixo (FBCF)-- cresceu 15,2% de janeiro a março, se comparado a igual período no ano anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2007, houve incremento de 1,3%.
Desemprego
Conforme divulgaram a Fundação Seade e o Dieese hoje, o desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou praticamente estável em 14,1% em maio, ante 14,2% em abril. Trata-se da menor taxa para maio desde 1996, quando foi de 16,1%.
"Os resultados do ano continuam expressivos, tanto com o crescimento no nível de ocupação quanto da PEA [População Economicamente Ativa] em patamares que há muito tempo a gente não via. O crescimento de 4,5% para a PEA é de regiões jovens ou subdesenvolvidas, não de regiões maduras como São Paulo", disse Loloian.
O nível de ocupação (9,026 milhões) em São Paulo em maio cresceu 0,4% em relação ao mês anterior (8,99 milhões).
"A ocupação não cresceu de forma significativa, porque acredito que já cresceu bastante. Mas a região Metropolitana de São Paulo rompeu, pela primeira vez, a barreira dos 9 milhões de ocupados", disse Loloian.
Por setor, a taxa de desemprego cresceu mais fortemente no Agregado Outros Setores, que inclui construção civil e serviços domésticos, registrando alta de 8,2%. Em maio, o comércio e os serviços também não tiveram performance favorável, assim como a indústria, com queda no número de ocupados de 1,4% e 0,2%, respectivamente.
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