Dinheiro
26/06/2008 - 16h28

Pessimismo global derruba Bovespa; dólar fecha a R$ 1,60

da Folha Online

O pessimismo do investidor com a economia americana, e a disparada do barril de petróleo rumo aos US$ 140 afetaram as Bolsas de Valores da Europa ao continente americano. No Brasil, o preço da moeda americana chegou a cair até R$ 1,58 pela manhã, mas o nervosismo da cena externa favoreceu para que retornasse ao patamar de R$ 1,60.

O dólar comercial foi trocado por R$ 1,602 na venda, o que representa um acréscimo de 0,62% sobre a taxa final de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi mantido em R$ 1,710 (cotação de venda).

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) anula os ganhos de ontem e retrocede 2,36%, para os 64.299 pontos (pelo índice Ibovespa). O giro financeiro é de R$ 5,31 bilhões.

Perto da abertura dos negócios o preço da moeda americana chegou a R$ 1,588 (a menor cotação do dia), mas começou sua escalada com o pessimismo dos investidores e a baixa das Bolsas de Valores. A fuga de investidores estrangeiros é quantificada por um saldo negativo de R$ 7 bilhões somente neste mês.

Analistas lembram que a disparada dos preços do petróleo aumenta o temor pela inflação e o conseqüente aperto monetário (juros primários mais elevados) em nível global. Ontem, o Federal Reserve (banco central americano) decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA em 2% ao ano, mas sinalizou que está bastante preocupado com a alta do custo de vida, influenciada pelos preços de energia e de outras commodities.

Para muitos analistas, o "aviso" do Fed serviu para reforçar as apostas de que a autoridade monetária americana pode elevar os juros básicos americanos em agosto, mês de sua próxima reunião.

O Banco Central entrou no mercado de câmbio às 12h14, comprando dólares por R$ 1,5965 (taxa de corte). Até ontem, o nível das reservas internacionais era de US$ 199,008 bilhões.

"O mercado de câmbio reagiu à alta do petróleo, ao dia ruim das Bolsas de Valores, mas tem influência também da 'guerra pela Ptax'. É final de mês e algumas tesourarias de bancos já começaram a agir para influenciar a taxa", comenta Luiz Carlos Baldan, diretor da corretora Fourtrade.

Tipicamente, no final do mês, ocorre uma disputa entre agentes financeiros para influenciar a formação da Ptax, a taxa média de câmbio, que serve para a liquidação dos contratos futuros de dólar na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Os chamados "vendidos" ganham quando o dólar cai, e os "comprados", quando a taxa sobe.

Juros futuros

Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), o mercado futuro de juros elevou mais uma vez as taxas projetadas para 2009, 2010 e 2011.

No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 13,22% ao ano para 13,30%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 14,80% para 14,98%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 14,94% para 15,15%.

Comentários dos leitores
João Oliveira (25) 05/09/2008 18h00
João Oliveira (25) 05/09/2008 18h00
Pelo contexto atual, o dólar, embora possa sofrer novas baixas, tende a se elevar em médio prazo.
A própria situação de queda, que perdura por um bom tempo, é um indicador de que o quadro deve ser reverter.
Ressalte-se que a economia americana é muito forte e não será a atual tormenta que manterá o dólar em baixa.
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José Luiz (1) 18/08/2008 17h27
José Luiz (1) 18/08/2008 17h27
Nicola.
Não é a especulação que faz o Real wstá mais valorizado. É o Dolar que não está valendo nada no mundo inteiro.
A reportagem é tendenciosa.
38 opiniões
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ANTONIO FIRMINA CASSACA (18) 11/08/2008 12h36
ANTONIO FIRMINA CASSACA (18) 11/08/2008 12h36
O Brasil perdeu uma grande oportunidade, ao invés de nossos representantes no governo federal realizarem ajustes em favorecimento do desenvolvimento da economia, resolveram abrir as torneiras do gasto público. Só se criou cargos, ministérios e secretarias além do gasto com políticas paternalistas, que no caso seguram a popularidade do governo Lula. Para se gastar é necessário antes arrecadar, e para isto o governo necessita recolher impostos, como não houve nenhuma preocupação em fortificar nosso quadro produtivo, estaremos a mercê de uma crise premeditada. Se o Brasil exportou mais e gerou empregos, não foi graças ao governo e sim ao mercado interno e externo. A oportunidade passou e o Brasil não aproveitou, mas há males que vem para bem, porque agora quero ver o refrão, "nunca antes na história deste país", ser pronunciado pelo nosso excelentíssimo presidente. Se o governo tivesse feito a reforma tributária, se ao invés de inchar o Estado, economizasse, se favorecesse a iniciativa privada para atuar nas áreas mais carentes e se não deixasse a corrupção tomar conta de nosso país. Teríamos uma luz ao fim do túnel, vamos esperar para ver o que acontece, mas as previsões não são boas é só acompanharmos a economia e os índices que regram esta. 128 opiniões
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