Dinheiro
26/06/2008 - 16h34

Petróleo passa de US$ 140 e encerra dia com novo valor recorde

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da Folha Online

O preço do petróleo bateu novos recordes nesta quinta-feira, passando de US$ 140 perto do encerramento da sessão e fechando acima de US$ 139 na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês). A possibilidade de um corte de produção na Líbia e a declaração do presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil, de que o barril pode chegar a US$ 170 nos próximos meses, afetou as cotações.

O barril encerrou o dia negociado a US$ 139,64 na Nymex, em alta de 3,78%. Pouco antes, o preço chegou ao recorde de US$ 140,39. O recorde anterior, atingido neste mês, havia sido US$ 139,89. Segundo analistas, a alta ocorreu perto do fim do pregão. "Muito volume [de negócios] chega nos últimos 45 minutos", disse o presidente da consultoria Ritterbusch and Associates, Jim Ritterbusch, à agência de notícias Associated Press (AP).

O governo da Líbia estuda um corte em sua produção em resposta à lei, aprovada pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) dos EUA em maio, que permite ao Departamento de Justiça processar os países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) por limitar a oferta de petróleo e por fixar os preços da commodity.

A medida submeteria os países do cartel --entre eles Venezuela e Irã, com quem os EUA têm relações difíceis-- às mesmas leis antitruste que regulam as operações das empresas americanas e cria uma força-tarefa do Departamento de Justiça para investigar o movimento dos preços da gasolina e a manipulação do mercado de energia.

"Estamos estudando todas as opções", disse o chefe da Corporação Nacional de Petróleo da Líbia, Shokri Ghanem. "Há ameaças do Congresso [dos EUA] e eles estão levando a Opep para os tribunais, estendendo as leis dos EUA para fora do país."

"Essa lei garante que os preços do petróleo refletirão as regras econômicas de oferta e demanda, ao invés de atividades altamente especulativas e, talvez, até ilegais", disse á época o representante democrata Steve Kagen, do Estado do Wisconsin (centro-norte dos EUA). O Senado ainda precisa votar a lei, mas a Casa Branca se opõe à lei, dizendo que atingir os investimentos da Opep nos EUA poderia levar a medidas retaliatórias.

"Ghanem não disse quando irá tomar uma decisão ou se haverá uma redução, nem deu nenhuma indicação de quanto seria o corte em consideração", disse o diretor de pesquisa de mercado da Tradition Energy, Addison Armstrong, à AP.

O presidente da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil, disse ao canal francês de TV France 24 que o preço do barril de petróleo ficará entre US$ 150 e US$ 170 neste verão no hemisfério Norte (inverno no Brasil). 'Prevejo provavelmente preços de US$ 150 a US$ 170 neste verão. Talvez caiam um pouco até o fim do ano', declarou. 'Tudo dependerá do BCE [Banco Central Europeu] e da decisão que pode tomar sobre um aumento das taxas de juros [na zona euro]. Neste momento, penso que o preço do petróleo aumentará."

Nesta terça-feira (24), ele disse que as cotações do petróleo não vão cair. "A Opep já fez o que podia e os preços não vão cair", disse. O secretário-geral da Opep, Abdallah el Badri, disse também que a organização não tem a intenção de aumentar a produção, "já que não existe falta [de petróleo]".

Ontem, o Departamento de Energia dos EUA informou que as reservas de petróleo nos Estados Unidos cresceram em 800 mil barris e atingiu 301,8 milhões de barris na semana passada. O resultado surpreendeu os analistas do setor, que apostavam em um recuo de 1,7 milhão de barris. O anúncio ajudou os preços a cederem ontem, mas a queda não se sustentou.

Na Nigéria, o sindicato dos trabalhadores do setor petrolífero e a empresa petrolífera americana Chevron devem retomar as negociações, a fim de encerrar uma greve. Ataques de grupos armados às instalações da empresa já afetaram em cerca de um terço a produção, de cerca de 350 mil barris diários, no país.

O dólar em queda também afeta a cotação do petróleo. Ontem, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) manteve sua taxa de juros em 2%, mas os cortes efetuados antes (sete consecutivos, entre setembro do ano passado e abril deste ano) afetaram a posição da moeda americana diante do euro.

Uma pesquisa da MasterCard divulgada na terça-feira (24) mostrou que a demanda por gasolina nos EUA caiu 2,7% na semana passada, na comparação com o mesmo período do ano passado; nas últimas quatro semanas, a demanda recuou 3,6% na comparação com o mesmo período um ano antes.

Comentários dos leitores
Louis Fod (292) 06/11/2009 11h43
Louis Fod (292) 06/11/2009 11h43
Pre-sal é pre-eleitoral, masi uma propaganda enganosa.
Somente a nossa gasolina e o nosso jet fuel são de baixa qualidade. A gasolina tem muito álcool e tem muito enxofre. A querosene muito enxofre. Adulteram mais a gasolina do que o álcool... muito dessa percepção vem da capital de SP, solvente é adicionado. Enxofre reage com vapor de água e forma acido sulfúrico. O solvente degrada a borracha e forma acumulo nas velas de ignição... ou bicos injetores.
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O Pacificador (44) 06/11/2009 10h36
O Pacificador (44) 06/11/2009 10h36
"Brasil não sucumbirá à "maldição do petróleo", diz Lula..."
Nesse ponto, concordo com ele.
O Brasil, não chegará a este ponto...
Antes disso, se nada for feito, o Brasil sucumbirá á corrupção, e aos políticos inúteis que dia a dia acabam com todos os patrimônios nacionais.
Portanto, temos antes outras "maldições" maiores para nos preocuparmos.
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Carlos Pereira (2) 06/11/2009 08h10
Carlos Pereira (2) 06/11/2009 08h10
FALSO PARADIGMA! O modelo desenvolvimentista decadente e insustentável dos motores à explosão são uma herança do século 19 (1824), não faltam novas tecnologias. O que falta é uma revolução / transformação da sociedade que está direcionada por muitos falsos paradigmas, mentiras mesmo!, que são utilizadas para manipular a grande massa da população em benefício de uma minoria que detém a riqueza e esconde tecnologias, evita o progresso de projetos enriquecedores para a humanidade. Tudo por dinheiro!
A questão é : vamos detonar tudo por dinheiro?
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