Dinheiro
26/06/2008 - 19h50

Brasil e Uruguai fecham novo acordo automotivo com carro "chinês" e blindados

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Brasil e Uruguai fecharam nesta quinta-feira um novo acordo automotivo para exportação de carros e autopeças sem pagamentos de imposto de importação.

O acordo anterior havia sido assinado em julho do ano passado e vale até o próximo dia 30. O novo acordo terá uma duração de seis anos e entra em vigor no próximo mês.

Será mantida a cota de exportação de 20 mil carros por ano do Uruguai para o Brasil. Até esse ano, no entanto, não havia produção de veículos no país vizinho.

O primeiro veículo a ser importado dentro do novo acordo será o Tiggo, utilitário de pequeno porte que será fabricado no Uruguai a partir de chassis trazidos da China.

A previsão é que sejam vendidos para o Brasil 1.500 veículos Tiggo em 2008. Em três anos, a produção uruguaia deve chegar a 10.000 veículos. O preço do carro será de cerca de US$ 15 mil, o que representará US$ 22 milhões de exportações.

Essa cota vale apenas para esses carros, que têm conteúdo uruguaio inferior a 60%. Não haveria cota para carros com participação maior de peças locais, mas o Uruguai não produz veículos com essas características.

Já o Brasil terá uma cota de 6.500 veículos para exportar livre de impostos. Essa cota poderá ser ampliada se o Uruguai exportar mais carros para o nosso país, uma forma de incentivar a importação de carros uruguaios.

Outra novidade será a mudança na regra para importação de carros blindados do país vizinho. Há uma cota de 600 carros nesse ano, que devem gerar nesse ano até US$ 30 milhões. Depois a cota cresce progressivamente até atingir uma média de 1.200.

Regras

Haverá também um monitoramento trimestral do acordo para que sejam feitos possíveis ajustes nas regras, caso isso seja necessário. A expectativa é que a partir do terceiro ano de acordo também possam ser feitas modificações maiores, inclusive nas cotas.

O acordo não vale para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, que já são comercializadas sem pagamento de imposto de importação.

Hoje, o Brasil importa US$ 18 milhões em autopeças do Uruguai e exporta US$ 230 milhões em veículos e autopeças. A exigência do país vizinho é reduzir esse desequilíbrio.

Segundo o secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento, Ivan Ramalho, o acordo também vai incentivar que fabricantes de autopeças se instalem no Uruguai para exportar para o Brasil.

Hoje o Brasil com US$ 9 bilhões em autopeças fora do Mercosul. Se fossem fabricadas no Uruguai, elas seriam compradas pelas montadoras brasileiras por um preço menor, já que não haveria imposto de importação e o frete seria menor.

Também está prevista a participação do BNDES (banco estatal de desenvolvimento) e do Banco da República Oriental do Uruguai para financiar investimentos no país vizinho.

 

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