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Dinheiro
30/06/2008 - 12h13

Brasil teve 316 greves no ano passado; setor público parou mais

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da Folha Online

Em 2007 foram registradas no Brasil 316 greves, que resultaram na paralisação de quase 29 mil horas de trabalho em todo o país, segundo dados divulgados hoje pelo SAG-Dieese (Sistema de Acompanhamento de Greves do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Em 2006, o Dieese havia registrado 320 greves, enquanto em 2005 e 2004, foram anotadas, respectivamente, 299 e 302 paralisações. O cadastro SAG inclui greves deflagradas no Brasil desde 1983 e conta, atualmente, com cerca de 18 mil registros.

Do total de greves, 161 (51%) foram empreendidas pelos trabalhadores da esfera pública --âmbitos municipal, estadual e federal, além dos empregados em empresas estatais. Outras 149 (47%) foram realizadas na esfera privada, por trabalhadores da indústria, dos serviços e do setor rural. Foram registradas ainda seis paralisações que envolveram conjuntamente trabalhadores da esfera pública e privada, entre elas três com funcionários de bancos públicos e privados.

Na avaliação do Dieese, entre os fatores que explicam a participação menor do setor privado está a "insegurança e a fragilidade do vínculo empregatício na esfera privada", em que o "empresariado dispõe do recurso da dispensa imotivada, freqüentemente utilizada para coibir as mobilizações".

Além disso, o Dieese destaca que as greves na esfera pública são motivadas pela inexistência de data-base. "Na esfera privada, a data-base anual pré-determinada pelas partes para a renovação das normas que regem as condições de trabalho assegura a regularidade das negociações coletivas de trabalho; e a recorrência à greve, no geral, coloca-se em momentos de impasse. Já para o funcionalismo, a paralisação das atividades é, muitas vezes, um instrumento para forçar a abertura das negociações."

Participação

Na esfera púbica, as greves corresponderam a 44% do total das paralisações e a 82% do total das horas paradas. Dessas, 19% ocorreram no âmbito estadual, com 45% do total de horas paradas; 17% no municipal, com 20% do total de horas paradas; e 8% no federal, com 16% do total de horas paradas. Ainda 7% delas foram localizadas em empresas estatais.

Quanto à esfera privada, a indústria foi responsável por 26% do total de greves do ano e o setor de serviços, por 20%. Ainda foram verificadas quatro paralisações no meio rural --todas de trabalhadores canavieiros. Em 2007, não houve registro de greve de trabalhadores no
comércio da esfera privada.

Do total dessas greves, as organizadas por funcionários públicos reuniram cerca de 38% do total de grevistas no ano e contribuíram com 83% do total de horas paradas. Na esfera privada, embora o número de grevistas registrado tenha sido maior 45% do total, o de horas paradas correspondeu a apenas 14% no ano.

Causas

A principal exigência das greves foi reajuste salarial, que atinge quase a metade do total (49%). Implantação ou reformulação de plano de cargos e salários vem em segundo lugar (26%), seguida por auxílio alimentação (18%). No âmbito público, a demanda por reajuste salarial compôs 67% das paralisações. Na esfera privada, a taxa é de 30%.

 

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