BIS adverte sobre problemas maiores que o esperado nos mercados financeiros
da Efe, em Basiléia (Suíça)
O BIS (Banco de Compensações Financeiras, na sigla em inglês) advertiu nesta segunda-feira que os problemas que estão por vir nos mercados financeiros poderiam ser de magnitude muito maior do que muitos acreditam.
A instituição financeira internacional com sede em Basiléia (Suíça), que realiza hoje sua Assembléia Geral Anual, considerou que "existe uma grande incerteza sobre qual poderia ser a magnitude" das convulsões financeiras.
Em seu 78º relatório anual, no qual analisa a situação da economia global de 1º de abril de 2007 a 31 de março deste ano, o BIS informa que "a convulsão vivida atualmente pelos principais centros financeiros não tem precedentes no período do pós-guerra".
"O significativo risco de recessão nos Estados Unidos, junto com a alta da inflação, aumenta o temor de que a economia mundial possa estar em uma espécie de momento crítico", afirma o BIS.
Esta situação é o resultado do "explosivo coquetel que a inovação no mercado financeiro, a autorização e o relaxamento das condições monetárias mundiais" representaram durante anos, o que gerou um desconforto, segundo o BIS.
"O modelo de negócio baseado em originar e distribuir riscos teve efeitos colaterais desastrosos", já que foram concedidos empréstimos de péssima qualidade que depois foram vendidos a investidores crédulos ou avaros, que recorreram a financiamentos alavancados e a curto prazo para aumentar ainda mais seu lucro, afirmou o BIS.
Neste processo, nem sempre fica evidente quem suporta exatamente o risco. O BIS acredita que esta situação evidencia que os sistemas financeiros liberalizados têm um comportamento pró-cíclico.
Ao mesmo tempo, o banco atenta sobre uma grande incerteza sobre a magnitude da atual convulsão financeira e a severidade de seus efeitos nas economias nacionais.
As divergências de orientação da política monetária nas principais regiões são prova das diferentes avaliações.
A principal preocupação, segundo a instituição, é que as famílias sufocadas com dívidas e às vezes com a perda do valor de seu imóvel tentem economizar mais e reduzam suas despesas com consumo. O resultado disso seria uma diminuição da atividade econômica e de empregos nos países ricos e nos que dependem das exportações destes.
A causa dos atuais problemas nos mercados financeiros foi "a concessão excessiva e imprudente de crédito durante muito tempo", insistiu.
Em conseqüência, a economia mundial experimenta ao mesmo tempo um aumento da inflação e a acumulação de desequilíbrios econômicos e financeiros relacionados ao endividamento provocado pela desaceleração econômica, explica o BIS
Segundo o banco, a existência de riscos contrapostos impede que a política monetária e fiscal de um país concreto possa ser recomendada "como solução mágica".
O BIS, que foi fundado em 17 de maio de 1930, incentiva a cooperação monetária e financeira internacional e atua como banco para os bancos centrais que são seus clientes. Estiveram presentes na assembléia os presidentes ou outros representantes dos 55 bancos centrais com direito a voto que integram o BIS, que é a instituição financeira internacional mais antiga do mundo.
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