Mercado de gás natural liquefeito crescerá 8% ao ano até 2020
da Efe, em Madri
O mercado de GNL (Gás Natural Liquefeito) manterá um ritmo anual de crescimento de 8% até 2020, e será cada vez mais global, afirmou nesta quarta-feira o presidente da companhia estatal argelina Sonatrach, Mohammed Meziane.
Durante discurso em uma das sessões plenárias do 19º Congresso Mundial do Petróleo, Meziane destacou que o gás natural (tanto liquidificado como por gasoduto) já cobre um quarto das necessidades de energia do mundo, e seu crescimento futuro situa o setor em uma "encruzilhada" entre regionalização e globalização.
O presidente da companhia estatal argelina (proprietária de uma das maiores reservas de gás do mundo) ressaltou a necessidade de substituir o "modelo clássico" --baseado em contratos a longo prazo-- que atualmente representa 80% do mercado, por outro "mais flexível" --no qual ganhem peso os contratos a curto prazo.
Além disso, destacou que o aumento do preço do gás nos últimos anos pela forte demanda favoreceu a construção de mais infra-estrutura --unidades de regaseificação e gasodutos--, o que aumentou a concorrência no setor.
As unidades de regaseificação permitem enviar em navios a matéria-prima aos lugares onde melhor se pague, sem depender da existência de gasodutos.
Apesar das perspectivas favoráveis (a produção de GNL praticamente duplicará entre 2007 e 2020), o presidente da Sonatrach alertou para os riscos inerentes aos grandes investimentos necessários para pôr no mercado os elevados volumes de gás previstos, assim como para a volatilidade dos preços.
No mesmo ato, a diretora da área de gás da Shell, Linda Cook, assegurou que o gás natural é "o protagonista favorito" do novo esquema energético mundial, marcado pelo crescente aumento da demanda e as maiores exigências ambientais.
Perante estas mudanças, Cook reivindicou aos governos dos países produtores marcos de investimento estáveis; o desenvolvimento de uma legislação internacional sobre o comércio de CO2 e uma aposta firme em tecnologias e políticas de eficiência energética.
Segundo assinalou, até 2030 a UE importará 75% do gás que consumir, contra os 45% atuais, devido ao aumento da demanda e ao esgotamento das reservas na Europa.
O presidente da companhia norueguesa StatoilHydro, Helge Lund, afirmou que as usinas de geração de eletricidade com gás natural "são uma opção excelente" para reduzir as emissões de CO2 e cumprir os objetivos ambientais estabelecidos pela UE (União Européia).
Quanto à possível criação de uma organização semelhante à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para o gás natural, Meziane disse que "não é nada fácil", e emoldurou as conversas entre países produtores dentro de sua preocupação com "a coordenação, estabilização e desenvolvimento" do mercado.
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