Dinheiro
02/07/2008 - 14h10

Comércio fatura 3,2% mais em maio, sob expectativa de impacto de inflação

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da Folha Online

O faturamento das vendas do comércio da região metropolitana de São Paulo subiu 3,2% em maio, ante igual mês em 2007, segundo pesquisa da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). No acumulado do ano, a alta é de 5,9%.

As vendas pelo Dia das Mães, a segunda melhor data para o comércio (atrás apenas do Natal), sustentou o desempenho no mês de maio, informou a federação. "A oferta de crédito, embora sob ameaça de restrições, como alternativa de contenção da inflação, também influencia diretamente."

De acordo com a Fecomercio, o varejo está passando por um momento de definições, em relação às ações que serão tomadas pelo governo para manter a inflação sob controle. "Os resultados das vendas serão importantes para definir de forma mais clara a tendência do comércio até o final do ano. A característica do consumidor brasileiro é reagir de forma imediata a ações que tenham repercussão sobre a sua renda e sobre suas expectativas", ponderou a entidade.

Além do impacto da inflação no bolso do consumidor, a Fecomercio-SP também aponta prejuízos às vendas com as restrições da circulação de caminhões na cidade de São Paulo nas lojas de material de construção.

"Além disso [inflação], a restrição de caminhões na cidade de São Paulo afeta diretamente a entrega dos produtos. Muitos materiais não poderão ser transportados pela própria limitação de tamanho e de peso dos veículos, o que implica em aumento de custos por parte das empresas, e, por conseqüência, poderá ser sentido no bolso dos consumidores", informou a entidade.

Em maio, no entanto, o desempenho ainda foi positivo: alta de 3% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a elevação foi de 14,3%.

Já as lojas de vestuário, tecidos e calçados foram favorecidas, em maio, pelas vendas do Dia das Mães e registraram o 22º mês de crescimento consecutivo do faturamento real. A expansão foi de 27,9% em comparação com igual mês no ano passado. No acumulado de 2008, o incremento atinge 24%. "Para junho, a expectativa é de que as vendas sejam levemente arrefecidas por conta do endividamento da população", informou a Fecomercio-SP.

As concessionárias de veículos, por sua vez, apresentaram em maio o segundo melhor movimento de vendas, com alta de 12% ante o mesmo período de 2007. No acumulado do ano, o incremento é de 12,9%. Segundo a federação, o crédito continua impulsionando as vendas de veículos e a expectativa é que esse comportamento prevaleça inalterado nos próximos meses.

Nas lojas de móveis e decoração, o faturamento cresceu 10,5% em maio e 12% nos cinco primeiros meses do ano, e nas de eletrodomésticos e eletrônicos, 8,3% e 15%, respectivamente. O setor de farmácias e perfumarias registrou alta de 2,3% no faturamento real em maio e de 2,8% nos cinco primeiros meses de 2008; o de supermercados teve elevação de 1,5% no mês e 3,3% no acumulado do ano.

"O desempenho positivo está atribuído às pressões de preços observadas principalmente sobre os produtos alimentícios, que foram certamente repassadas ao consumidor", constatou a Fecomercio-SP.

Negativo

Com desempenhos negativos em maio, estão as lojas de departamentos (queda pelo oitavo mês consecutivo, de 15,6%) e as de autopeças e acessórios (recuo de 31,1% ante mesmo mês do ano passado). No acumulado do ano, os resultados também decresceram: 13,9% e 29,9%, respectivamente.

Segundo a Fecomercio, a retração nas lojas de departamento é fruto da concorrência com grandes lojas de outros segmentos, que vendem a mesma gama de produtos. "Assim, os grandes magazines acabam direcionando suas vendas a um público de menor poder aquisitivo, visando preços reduzidos, margens pequenas e facilitando o crédito", explicou.

No caso das autopeças, a federação aponta a oferta de produtos importados, sobretudo chineses, como o principal responsável pela má performance das vendas.

 

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