Publicidade

Dinheiro
02/07/2008 - 14h32

Resposta à crise de alimentos será incentivo à produtividade, afirma Lula

Publicidade

da Agência Brasil
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a resposta brasileira à crise mundial de alimentos não deve ser a retenção da capacidade de consumo ou produção, mas sim o incentivo à produtividade. "É criar condições para que as pessoas plantem", disse hoje ao lançar o Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, em Curitiba.

O PAP 2008/2009 prevê R$ 65 bilhões para financiar a próxima safra da agricultura empresarial. Os recursos serão aplicados no custeio, comercialização e investimento.

"Lula convocou os agricultores a aproveitarem o atual cenário mundial para suprirem a demanda por alimentos e transformar o Brasil numa potência. "Quando o mundo quiser comer temos que dizer: venha comprar que o Brasil tem para vender."

"Na verdade, este plano nos orienta a assumirmos a responsabilidade de um desafio, um desafio pensando --e não quero que ninguém deixe de pensar na sua própria produção, no bem-estar da sua família-- neste país", afirmou.

Segundo Lula, esse plano se destaca pelo mérito de ser construído sem pressão e antagonismos entre os diversos setores envolvidos. "Pela primeira vez o Ministério da Fazenda senta com você [se dirigindo ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes] para negociar junto com o Ministério do Planejamento sem que haja antagonismo", disse.

Para o presidente Lula essa discussão equilibrada é conseqüência da compreensão e a cooperação de toda a equipe, que entendeu a situação do país diante do atual cenário mundial. "Se o barco afundar, todos serão iguais debaixo d'água. Não haverá distinção de tamanho, de propriedade, do que está sendo plantado, da renda".

Ao falar sobre dívida agrícola, ele pediu que sejam retirados os excessos de cobrança que incidem sobre as dívidas e aumentam o valor para que então possam ser pagas pelos agricultores. "Vamos limpar esse negócio, vamos tirar todos os penduricalhos, ver que é a dívida real e dar um tempo para as pessoas pagarem."

No fim do discurso, Lula disse que aqueles que torcem para as coisas dar errado, sairão frustrados. "Quem torcer para este país não dar certo vai, simplesmente, quebrar a cara. Se eu não fosse presidente da República, eu ia dizer que iria quebrar outra coisa, mas vai quebrar a cara", afirmou.

Agricultura familiar

Sobre o Plano de Agricultura Familiar, que será anunciado amanhã, com mais R$ 13 bilhões, Lula afirmou que a "palavra de ordem é dobrar a produção de cada pequena propriedade que tenha um produtor brasileiro".

"Chega de produzir cultura de subsistência: 'Eu tenho uma terrinha, vou plantar mandioca, vou plantar um milhozinho'. Não, é para plantar o que puder plantar, para comer e para vender. Nós temos que dizer para os pequenos que é bom ganhar dinheiro, comprar uma televisão nova, comprar um carro novo, comprar roupa nova para o filho", disse Lula.

Segundo Lula, amanhã o governo vai anunciar o financiamento de 60 mil tratores para a agricultura familiar. "Nós queremos fazer uma revolução, porque quando o mundo precisar comer o Brasil tem que dizer: venha comprar, o Brasil tem para vender."

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
avalie fechar
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
avalie fechar
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (199)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca