Perfurações vão definir se blocos do pré-sal estão interligados
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no rio
A Petrobras só terá certeza a respeito da interligação dos blocos do pré-sal na bacia de Santos quando fizer perfurações na fronteira dessas áreas, informou nesta quarta-feira o gerente executivo para projetos do pré-sal, José Formigli Filho. Segundo ele, isso só será feito quando novas sondas estiverem disponíveis, até o final deste ano.
"A gente só vai ter certeza disso na hora que furarmos alguns poços mais próximos da fronteira dos blocos. Apesar de a gente poder inferir através da interpretação das linhas sísmicas, a comprovação só acontece perfurando. Com a chegada de mais sondas para perfurar no pré-sal, vamos começar um programa extenso delimitando isso", afirmou.
Formigli lembrou que o assunto está sendo avaliado internamente pela Petrobras e, assim que houver certeza da interligação entre os blocos, os sócios serão chamados e a questão será levada à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Caso a unitização dos blocos seja necessária, esse não será o primeiro caso no Brasil. Esse procedimento já foi feito em pequenas áreas terrestres no Nordeste. Em mar, a Petrobras deverá fechar, em breve, a unitização de dois blocos na área de Camarupim, no Espírito Santo. No caso, o acordo está sendo discutido com a El Paso, que é sócia da estatal em um dos blocos --o outro bloco é 100% Petrobras.
"Tivemos que perfurar um poço exatamente para comprovar qual era a extensão que ficava em cada um dos dois. Negociamos e vamos colocar o FPSO [unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência] Cidade de São Mateus nessa área, no final desse ano e ele já vai estar com a solução negociada entre Petrobras e El Paso, e aprovada na ANP", observou Formigli.
Outra possibilidade no pré-sal é que o petróleo observado em alguns dos blocos que já têm descoberta se estenda para áreas que ainda não foram licitadas pela União. Neste caso, explicou Formigli, a Petrobras terá que negociar com a ANP. O gerente garantiu que a possível comprovação da interligação não afetará os cronogramas do pré-sal.
"O que facilita é que só tem dois operadores na área até agora, que são Petrobras e Exxon. Os operadores definem os ritmos, lideram os processos, mas precisa haver a aprovação de todos os sócios", afirmou.
José Formigli Filho comentou ainda sobre as possibilidades de exploração no pré-sal da bacia de Campos. Segundo o gerente, o potencial da região é inferior ao observado em Santos, devido às condições de espessura de sal e de reservatório.
A produção na área do pré-sal será iniciada justamente na bacia de Campos, no Estado do Espírito Santo, a partir de setembro. O poço está sob a área chamada de Parque das Baleias, no campo de Jubarte, onde a plataforma P-34 já produz.
"Descobrimos outros nas redondezas. É pré-sal, embaixo das concessões ali no parque das Baleias. Não divulgamos reservas, e enquanto não perfurar outros poços. Demos sorte que já havia uma plataforma lá, a P-34. Vai nos dar a informação sobre a produtividade do que está ali embaixo do parque das Baleias", explicou.
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