Dinheiro
04/07/2008 - 08h10

Banco Mundial culpa biocombustíveis por alta dos preços dos alimentos

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da Efe, em Londres

Os biocombustíveis fizeram com que os preços dos alimentos subissem 75% no mundo todo, segundo um relatório do Banco Mundial citado pelo jornal britânico "The Guardian" que "absolve o álcool brasileiro".

Os dados desmentem as afirmações do governo americano, que alega que os combustíveis de origem vegetal contribuem com menos de 3% para a falta de alimentos, assinala o jornal.

Segundo algumas fontes, o relatório, concluído em abril, não foi publicado até agora para não complicar a situação do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que atribuiu essa alta fundamentalmente ao crescimento do consumo de alimentos na China e Índia, e para evitar tensões entre a Casa Branca e o Banco Mundial --o presidente do banco é o ex-representante de comércio dos EUA, Robert Zoellick.

O texto explica que "o rápido crescimento da renda nos países em desenvolvimento não se traduziu em um forte aumento do consumo de cereais e não contribuiu de modo importante à alta dos preços".

O relatório informa que os biocombustíveis derivados da cana-de-açúcar, uma especialidade do Brasil, não tiveram um impacto tão forte como os do milho e de outros produtos.

Até mesmo as secas na Austrália tiveram um pequeno impacto nesse fenômeno, assinala o texto, que atribui o maior impacto à forte demanda por biocombustíveis na Europa e Estados Unidos.

"Sem o aumento da demanda por biocombustíveis, as reservas mundiais de trigo e milho não teriam caído sensivelmente, e os aumentos de preços devidos a outros fatores teriam sido moderados", afirma o documento.

O relatório confidencial do Banco Mundial se torna conhecido em um momento crítico para as negociações multilaterais sobre a futura política mundial em matéria de combustíveis.

A escassez de alimentos pode ser um dos temas discutidos na próxima cúpula do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia), na próxima semana, em Hokkaido (Japão).

Segundo Robert Bailey, analista da fundação Oxfam, "os políticos parecem empenhados em esconder e ignorar as claras provas da importante contribuição dos combustíveis para as recentes altas dos preços dos alimentos".

O preço da cesta de alimentos examinada no estudo do Banco Mundial subiu 140% entre o ano 2000 e fevereiro deste ano.

Segundo o relatório, o encarecimento da energia e dos adubos contribuiu apenas 15% para esse aumento, enquanto 75% correspondem aos biocombustíveis.

"Esta claro que alguns biocombustíveis têm um enorme impacto no preço dos alimentos", comentou ontem o ex-principal assessor científico do governo britânico, David King.

"Ao apoiar os biocombustíveis, subvencionamos a alta dos preços dos alimentos em favor da mudança climática", disse King.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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