Empresas dos EUA pedem fim da tarifa sobre álcool de cana
da Folha de S.Paulo
Em meio a uma campanha da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) para promover o álcool de cana brasileiro nos Estados Unidos, um grupo de empresas do setor de alimentos pede a redução da tarifa sobre o produto no país. Entre as companhias que querem o fim da tarifa de US$ 0,54 por galão de álcool, estão Coca-Cola, Pepsico e Tyson Foods.
O grupo argumentou, em nota, que a isenção "vai beneficiar os norte-americanos por introduzir concorrência a um produto que tem grande demanda, além de reduzir a pressão sobre o álcool feito de milho e os estoques do grão". Eles também acreditam que a liberação da taxa sobre o álcool de cana reduziria os preços do milho.
Para o grupo, a lei agrícola aprovada recentemente, que determina a tarifa, eleva a competição por álcool de milho, levando a uma "imprevisível e severa inflação de alimentos".
A campanha da Unica, voltada aos consumidores de gasolina da Flórida e Califórnia, usa o mesmo mote, ligando a tarifa à alta dos preços do milho, do álcool e da gasolina.
Especialistas como Joe Petrowski, executivo-chefe da petrolífera Gulf Oil, acreditam que a medida surtiria efeitos. "Estamos em uma crise energética séria, e retirar a tarifa do álcool brasileiro seria um primeiro passo importante."
Alta nos alimentos
Um relatório do Banco Mundial (Bird) obtido pelo jornal britânico "The Guardian" diz que os biocombustíveis aumentaram em 75% os preços dos alimentos no mundo.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal, o relatório não foi publicado para evitar uma saia justa entre o Bird e o governo dos EUA. O presidente George W. Bush é um dos principais incentivadores do uso do álcool, e os EUA são um dos maiores financiadores do Bird.
O estudo diz que a alta da renda nos países em desenvolvimento não levou a grandes aumentos no consumo global de grãos nem foi importante na elevação dos preços.
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