Empresa de saneamento portuguesa diz se arrepender de entrar no Brasil
da Lusa, Lisboa
com Folha Online
O presidente da AdP (Águas de Portugal), Pedro Serra, afirmou nesta sexta-feira que a expansão da operação da empresa para o Brasil foi "um mau negócio". "A nossa preocupação quando chegamos à administração da Águas de Portugal foi a de estancar a hemorragia e acabar com um mau negócio", disse o presidente da empresa.
Em dezembro de 2000, a AdP adquiriu a Prolagos, concessionária de saneamento da região dos lagos, no Rio de Janeiro. A compra foi realizada durante a gestão do então presidente Mário Lino, que atualmente é o ministro de Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações português. Lino não comentou as declarações de Serra.
Questionado sobre se considerava que a operação teria sido uma má aposta de Mário Lino, o atual presidente afirmou "não estar seguro disso nem do contrário". A empresa está analisando "se deve ou não continuar com negócios internacionais".
Serra assumiu o cargo de presidente do grupo em maio de 2005, sucedendo a Poças Martins que se tornou presidente do grupo em substituição a Mário Lino, que saiu do cargo em 2002.
Relatório do Tribunal de Contas português mostra que o grupo AdP se encontra numa situação econômico-financeira "débil", e aconselha uma reestruturação imediata do setor. O documento afirma que a situação de fraqueza e os resultados negativos do grupo devem-se sobretudo a "falha empresarial" da internacionalização do grupo para o Brasil e Cabo Verde.
O presidente da AdP rejeitou, no entanto, que o grupo esteja numa má situação econômico-financeira, sustentando que se assim fosse a empresa não teria conseguido financiamento de bancos internacionais.
Expansão
Enquanto a AdP estuda sua saída do Brasil, a Sonae Sierra, divisão imobiliária do grupo português Sonae, anunciou ontem que investirá 43,5 milhões de euros na construção de seu 12º centro comercial no país, em Uberlândia, Minas Gerais. A previsão é que o complexo fique pronto em 2010 e atenda cerca de 600 mil pessoas.
O centro comercial, que deve gerar dois mil empregos, terá 47 mil metros quadrados destinados às 258 lojas previstas. Além disso, abrigará 20 restaurantes, um supermercado e seis salas de cinema.
A Sonae Sierra Brasil tem ainda outros projetos em desenvolvimento no país, que serão inaugurados no primeiro semestre de 2009 em Manaus e em 2010 em Londrina. A empresa é especializada na construção e gestão de shoppings e é proprietária de 47 edificações em Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Grécia, Romênia e Brasil.
Com informações da agência de notícias Efe
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