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Dinheiro
07/07/2008 - 08h00

Mercado reduz projeção do PIB de 2009 para até 3%

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ROBERTO MACHADO
da Folha de S.Paulo, no Rio

A resposta do Banco Central à escalada inflacionária- elevações da taxa básica de juros- está fazendo com que bancos e consultorias rebaixem as suas previsões para o desempenho da economia no próximo ano. E já há quem projete crescimento de apenas 3%.

É o caso da Unibanco. Segundo a economista Giovanna Rocca, os números da atividade no segundo trimestre, quando divulgados, vão ilustrar a atual trajetória de desaceleração: "É inevitável, diante do forte crescimento da demanda. Além disso, a economia já estará sob o impacto da alta dos juros".

A projeção anterior do Unibanco era de um crescimento de 3,4% --já bem abaixo da expectativa média do mercado. Segundo a pesquisa Focus, do Banco Central, que reúne semanalmente as projeções do setor privado, as instituições financeiras, na média, esperam crescimento de 4% em 2009.

Mas muitas dessas estimativas estão sendo refeitas nos últimos dias -à luz de uma dupla pressão inflacionária, externa e interna. A queda da produção industrial registrada em maio pelo IBGE (recuo de 0,5% em relação a abril) alimentou a percepção de muitos analistas de que a economia brasileira se desacelera rapidamente.

Para a LCA consultores, o crescimento do PIB cairá para 3,3% no ano que vem, resultado de uma pressão que levará o IPCA, índice usado como meta oficial pelo governo, a estourar o "teto" de 6,5% neste ano, fechando em 6,8%.

Para evitar descontrole maior da inflação, o Banco Central passou a elevar a taxa básica de juros desde abril. De lá para cá, os juros subiram um ponto percentual, de 11,25% ao ano para 12,25%. E há certo consenso entre os analistas de que fecharão o ano em 14,25%. "Evidentemente é um cenário de piora. Felizmente, não será recessão, como tivemos no passado. Mas é mais do que sinal amarelo: o ajuste está a caminho, com desaceleração geral", diz Francisco Pessoa, da LCA.

Ele prevê que o consumo caia dos 5,7% registrados no ano passado para 3,8% em 2009. E que a Formação Bruta de Capital Fixo (a taxa de investimento) migre de 13,4% para 7,8% nesse mesmo período.

Caso se confirmem as projeções do mercado financeiro, o desempenho da economia ficará bem abaixo do que ainda hoje promete o governo federal. Na semana passada, na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou que a meta é sustentar crescimento de 5%, em 2009 e nos anos seguintes.

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No início do ano, antes que as pressões inflacionárias tivessem se intensificado, o mercado já previa um crescimento de, no máximo, 4,5% em 2009 --mas isso num cenário em que o IPCA encerraria 2008 em 4,3%, com juros básicos de 11,25% em dezembro.

"Voltamos à discussão do produto potencial. Ficou claro que o crescimento [do PIB] de 5,4% [no ano passado] ficou acima. Seja qual for o PIB potencial, ele não é de 5%", afirma a economista Teresa Fernandes, da MB Associados.

O PIB potencial é um conceito usado pelos economistas que define quanto o nível de atividade de um país pode crescer sem provocar pressões inflacionárias --se o consumo cresce mais do que a capacidade do setor produtivo de oferecer bens e serviços, a tendência será a de que os preços subam.

A estimativa de qual seria o PIB potencial brasileiro varia de acordo com a instituição que realiza a pesquisa e com a metodologia utilizada (o Banco Central não divulga projeções sobre o assunto) --e é normalmente combustível para polêmicas entre economistas.

"O aperto monetário de agora mostra que a conta não estava fechando, foi algo além do que podíamos. Além disso, há pressões inflacionárias que vêm de fora. É melhor ir devagar e sempre do que recorrer à ilusão do crescimento que não é sustentável", conclui Zeina Latif, economista do banco Real.

Comentários dos leitores
Felipe Santos (176) 10/07/2008 08h54
Felipe Santos (176) 10/07/2008 08h54
Sr. Carlos Lobitsky a inflação tem suas causas no preço do petróleo e commodities, mas temos a demanda interna pressionando-a também, já que o Brasil sempre teve gargalos no seu meio produtivo. Nunca conseguimos crescer sem inflação por causa destes gargalos. O sr. parece entender de política, então me diga uma política tomada pelo governo para o crescimento sustentável do país. A única coisa feita até agora foi a manutenção na taxa de juros que é totalmente independente do governo. Agora, não tivemos a tão falada reforma tributária, os investimentos necessários para tornar o país eficiente não estão sendo feitos e sim só usados como campanha política. Bolsa-família não faz país nenhum crescer, o que faz gerar crescimento é tornar nossas empresas competitivas para que estas contratem e não só dependam da taxa de juros. Nossa participação no mercado internacional só vem caindo e çom certeza não é só por causa do dólar. A questão não é jogar contra o governo é faze-lo abrir os olhos, pois outra oportunidade foi perdida. sem opinião
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Felipe Santos (176) 07/07/2008 08h37
Felipe Santos (176) 07/07/2008 08h37
Agora vamos ver se o PT sabe administrar e governar mesmo, pois o cenário internacional mudou e como exaustivamente dito neste forum, o governo não aproveitou o momento bom da economia mundial para tomar decisões importantes para o Brasil, ao invez disto, só se gastou e se tomou medias com fins políticos, a única coisa feita foi a manutenção da taxa de juros. Poderiamos ter tornado a nossa industria eficiente, etc. O Brasil é tão frágil ainda que em poucos meses já se tem uma deterioração grande dos seus indicadores economicos. A inflação voltou, já se projeta crescimento abaixo da média da América Latina e toda aquela novela que já conhecemos e que tanto foi avisada e contada neste forum. 1 opinião
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M Mig (863) 30/06/2008 21h25
M Mig (863) 30/06/2008 21h25
Esse indice de crescimento é uma piada, já fomos passados para trás por varios paises considerados economicamente piores que o Brasil. Já ouvimos muitas histórias ou estórias sobre ter dinheiro para saldar a divida externa e recordes de arrecadação... mas na pratica ainda não vimos nada... só medidas com fins eleitoreiros e que não podem ser consideradas. Que tal investir em produção interna?? Afinal a melhoria no nivel de risco para investimentos extrangeiros tão festejada não pôs dinheiro no bolso do trabalhador.... mas investimentos internos sim... Alias, que o tal presidente olhar um pouco pelo trabalhador brasileiro ao invés de fazer tanta propaganda vã ?? 5 opiniões
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