Dinheiro
07/07/2008 - 16h26

Ministro vê resistência ao recuo de preços dos alimentos

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em meio à crise mundial de alimentos, o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) admitiu nesta segunda-feira que "dificilmente" o preço dos gêneros alimentícios vai sofrer redução no país nos próximos meses. Depois de participar de sessão solene na Câmara nesta segunda-feira, Stephanes reconheceu que o preço dos alimentos não vai retomar aos patamares registrados antes da crise.

"Foi um fenômeno global que elevou os preços e dificilmente eles recuarão para o antigo patamar. Poderemos ter ajuste para baixo, algo em torno de 5 a 10%, mas não acredito que vão recuar mais que isso", afirmou.

Em um tom pessimista, o ministro disse acreditar no surgimento de novas crises que poderão ampliar o preço dos alimentos no país, ao contrário do que prevê o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação do presidente, a safra agrícola deste ano poderia reduzir os preços aos índices que se encontravam antes da crise.

"Acho que, dentro de dois ou três anos, se continuar a demanda por alimentos, energia e petróleo, vejo chances de um novo choque para cima", reconheceu Stepnahes.

O ministro disse, porém, que os alimentos não podem ser apontados como responsáveis pela crise econômica mundial que resultou na alta inflacionária no país. "De forma alguma e em hipótese nenhuma. Quem disser isso está na direção errada. O petróleo triplicou seus preços, sendo então o primeiro ponto de pressão. O aumento dos preços dos alimentos não chegou a 30% no mercado interno. Se há vilão, não são os alimentos. Eles participam do processo, mas não são o vilão da inflação", afirmou.

Crise

Apesar do pessimismo, o ministro disse que o país está preparado para enfrentar uma nova crise internacional --embora não seja capaz de solucionar o problema que atinge todo o mundo. "Somos auto-suficientes na produção agrícola e tentamos minorar, mas não resolveremos o problema."

Stephanes disse ser favorável à implementação de políticas que reduzam a dependência brasileira no campo de defensivos agrícolas, o que na sua previsão poderá ocorrer este ano.

"O problema mais dramático são os defensivos. Se dependemos da importação do potássio em 90% e houver problema lá fora, podemos ficar sem item básico para a produção. Já discutimos isso com o governo, já se falou isso em nível ministerial. Até o final do ano, quem sabe, poderemos ter novidade."

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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