Reino Unido promete desacelerar programa de introdução de biocombustíveis
da Efe, em Londres
O Reino Unido deve desacelerar seu programa de introdução de biocombustíveis para lutar contra a mudança climática, por temer os efeitos de uma expansão descontrolada desse tipo de combustíveis, anunciou hoje o governo britânico.
Na Câmara dos Comuns, a ministra de Transporte britânica, Ruth Kelly, afirmou que o Executivo "procederá de forma cautelosa" ao estímulo ao uso dos biocombustíveis.
O governo fez o anúncio depois que o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, pediu hoje aos países ricos que reformem suas políticas de biocombustíveis e priorizem o cultivo de alimentos para combater a atual crise de alimentos.
Kelly reconheceu que "os biocombustíveis podem ter um grande papel na redução de emissões de carbono e na luta contra a mudança climática", mas geram "crescentes dúvidas".
A ministra advertiu que uma expansão desmedida desse tipo de combustíveis, que precisam de terras de cultivo e são obtidos através de raízes como a beterraba, poderia causar um encarecimento dos alimentos e a destruição das selvas tropicais.
"Devemos proceder de maneira cautelosa até termos certeza de que o crescimento da expansão e utilização (dos biocombustíveis) maximiza os benefícios e minimiza os riscos para o mundo", concluiu.
Desta forma, o governo desacelerará a aplicação da Obrigação de Combustível Renovável para o Transporte (RFTO), fixada pela União Européia, que exige que 2,5% do que é vendido nos postos de gasolina sejam biocombustíveis.
O Executivo manterá contatos pertinentes para adiar até 2013 o cumprimento do objetivo contemplado na RFTO de aumentar a venda de combustíveis biológicos até mais de 5% em 2010.
Kelly fez o anúncio em resposta à divulgação do chamado "Relatório Gallagher", dirigido pelo professor Ed Gallagher, chefe da Agência de Combustíveis Renováveis do governo, a fim de analisar o impacto dos biocombustíveis no uso da terra.
O documento recomenda ao Executivo que "se modifiquem, mas que não se abandonem", as políticas de defesa dos biocombustíveis.
O relatório conclui que "há futuro para a indústria de biocombustíveis sustentáveis" e que esse setor poderia evitar a emissão de até 371 milhões de toneladas de dióxido de carbono à atmosfera até 2020.
No entanto, o texto adverte de que a expansão descontrolada dos biocombustíveis poderia ter efeitos negativos no uso das terras de cultivo e empurrar para cima o preço dos alimentos.
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